O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 16/07/2020
Durante o ano de 2019, houve uma série de incêndios na floresta amazônica brasileira, amplamente divulgados pela mídia, o que motivou revolta internacional e uma série de protestos no Brasil. Visto que o desmatamento realizado para expandir áreas de plantio e pecuária utiliza métodos irreversíveis de devastação, os interesses lucrativistas precisam ser controlados com o aumento na fiscalização e repressão para a expansão do agronegócio nas florestas.
A princípio, entende-se que, por ser um processo de baixo custo, o ateamento de fogo nas matas, majoritariamente, é criminoso e iniciado por produtores rurais que buscam aumentar áreas de lavoura e pastagem. Sob esse viés, o doutor em ecologia Genebaldo Freire afirma que a lógica de mercado capitalista vê a natureza como fornecedora de capacidade infinita e gratuita, o que resulta na devastação da biodiversidade. Sendo assim, sem a fiscalização governamental, agricultores e grileiros, ilegalmente, destroem áreas de conservação com o desmatamento. Com isso, um acontecimento nacionalmente conhecido foi o “Dia do Fogo” em agosto de 2019, com uma série de incêndios intencionais, realizado por ruralistas em comemoração às medidas do atual governo para enfraquecer a fiscalização de órgãos ambientais no país.
Em segundo plano, a cultura de tolerância aos desmatamentos é obstáculo para a diminuição de incêndios nas vegetações. A esse respeito, o cientista social Sérgio Buarque de Holanda defende, em “Raízes do Brasil”, que o brasileiro tende a agir motivado por impulsos emocionais – a cordialidade. O sociólogo afirma que algumas atitudes são tomadas sem que sejam consideradas as consequências, já que ocorrem de modo espontâneo e emocional. Nesse cenário de falta de fiscalização, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em 2017, cerca de um milhão de hectares foram destruídos em queimadas por criminosos, o que sinaliza para os danos irreversíveis causados ao solo. Logo, é evidente que a devastação precisa ser contida pelos órgãos governamentais para que haja a conservação da biodiversidade e o combate ao aquecimento global.
Tendo em vista os fatos citados, é válido que o Estado e a sociedade cooperem para mitigar tal realidade. Assim, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Polícia Civil, devem, por meio de políticas públicas rígidas de combate aos incêndios criminosos, punir aqueles que inflijam as leis ambientais, por meio da fiscalização rígida e investigação de denúncias da sociedade civil. Ademais, o poder Legislativo, em parceria com o Ibama, deve elaborar leis de combate à expansão do agronegócio nas florestas, com a implementação de penas severas às organizações criminosas comprometidas com a devastação da Amazônia.