O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 16/07/2020
Os incêndios são comuns nos biomas secos e semiáridos brasileiros devido às altas temperaturas e climas com baixa umidade em determinados meses do ano. Porém, nas últimas décadas, esses números de queimadas em território nacional têm aumentado significativamente, a ter como principais fatores: o alargamento das fronteiras agrícolas e a negligência do governo ante esse fato.
Primeiramente, é necessário muitos hectares de terras para manter ou aumentar percentuais de produção e lucro no agronegócio, essa necessidade é uma das razões pelas quais há o aumento de desmatamentos e incêndios de biomas secos, como o cerrado, por pressão antrópica. Isso ocorre porque apesar do Brasil ter ascensão industrial na década de 1930, ainda hoje o agronegócio é um importante setor na economia nacional, a ocupar 21,6% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária Nacional (CNA), é o maior percentual entre as categorias. Nesse cenário, o cerrado brasileiro encontra-se dentro dos padrões da Organização das Nações Unidas (ONU) de território em “hotspot” (ponto-quente), isto é, uma região biogeográfica que pode estar ameaçada de destruição pelos humanos. Assim, por meio de queimadas clandestinas, biomas nacionais são destruídos com o avanço das fronteiras agrícolas.
Outrossim, importante destacar que a ineficiência do Estado na fiscalização favorece o aumento de incêndios nas matas brasileiras, uma vez que boa parte das queimadas são feitas sem o consentimento do governo, de forma ilegal. Entretanto, percebe-se um aumento absurdo desses crimes desde a tomada de posse do então presidente, Jair Messias Bolsonaro, que carrega como discurso a desinformação ante as causas ambientais (mundiais e nacionais) potencializando crimes ambientais do tipo. À exemplo, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), houve um aumento de 86% no número de queimadas no ano de 2019 em relação a 2018. A consequência? perdas de nutrientes no solo, alterações no clima e a extinção de biodiversidade (endêmica ou não) nesses territórios, o que dificulta o reflorestamento.
Em suma, para conter o aumento de incêndios nas matas brasileiras, o governo federal precisa conter o alargamento das fronteiras agrícolas, por meio de melhores fiscalizações via satélite e atuações investigativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), além de assegurar a manutenção e preservação de reservas ecológicas, a fim de conter e prender criminosos, a dificultar dessa forma o avanço das queimadas, a preservar assim, os biomas nacionais. Dessa forma, o país irá conseguir controlar aos poucos essas queimadas ilegais, visto que um crime ambiental não é apenas um crime contra a nação do Brasil, mas sim um crime contra a vida.