O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 17/07/2020

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), houve um aumento de mais de 80% dos incêndios entre janeiro e agosto de 2019 em relação ao ano anterior. Diante desse dado alarmante, faz-se necessário discutir as causas e as consequências do problema em questão, o qual ameaça as matas brasileiras. Nesse sentido, a expansão da agropecuária se configura como o principal fator que ocasiona essa realidade, com impactos que vão desde o prejuízo à saúde coletiva até o desequilíbrio dos ecossistemas.

A priori, é fundamental compreender a relação entre a agropecuária e o aumento dos incêndios. Nesse contexto, a prática dessa atividade requer grandes áreas “limpas”, isto é, terras com vegetação baixa para o exercício da atividade. Assim, diversas regiões são desmatadas e, posteriormente, incendiadas com o intuito de tornar esses locais adequados para a criação de gado. Essa ligação fica clara ao se analisar outros números do INPE, que mostram um aumento de mais de 50% do desmatamento no mesmo período em que houve um acréscimo nos índices de queimadas.

Como consequência do ateamento de fogo deliberado nas matas brasileiras, surgem inúmeros danos. A respeito disso, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia — região especialmente afetada por esse tipo de ação —, a queima dessa floresta causa um desequilíbrio sistêmico, com impactos em cadeia. Isso porque a Amazônia influencia o regime de chuvas não só do Brasil, mas também da América do Sul e de outras partes do mundo, alimentando diversos rios e sendo essencial, inclusive, para o agronegócio. Ademais, os incêndios acarretam perdas, em breve irreparáveis, da biodiversidade, além de doenças respiratórias em decorrência dos gases que são liberados, comprometendo a saúde coletiva.

Logo, faz-se urgente o enfrentamento desse cenário, o qual deve se pautar, basicamente, em fiscalização e punição efetivas. Nessa continuidade, o Ministério do Meio Ambiente deve combater o problema, por meio da utilização do Cadastro Ambiental Rural (CAR), criado em 2012, cruzando-o com os dados de monitoramento da cobertura florestal gerados por satélites, que identificam alertas de desmate e focos de calor. Dessa forma, o governo conseguiria saber em qual propriedade aconteceu o desmatamento e o foco de queimada, identificando também a legalidade ou não da ação, visto que existem regras para a realização dessa prática no Brasil e determinados lugares são de proteção e preservação ambiental. Nos casos em que forem constatadas ilegalidades, os responsáveis deverão ser devidamente punidos, com prisões e pagamentos de altíssimas multas.