O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 17/07/2020

A partir do século XVI, a colonização portuguesa estabeleceu uma intensa relação desarmônica com o território brasileiro, baseada na exploração massiva dos recursos existentes no país: a extração mineral, o plantio excessivo e o desmatamento. Essa conjuntura perpetua, no Brasil contemporâneo, de forma ainda mais brutal, uma vez que há um grande aumento na realização de queimadas nas matas pátrias, com o intuito de liberar e ampliar áreas para cultivo e para criação de gado.

Primeiramente, é necessário destacar as causas do crescimento das queimadas nas matas brasileiras. Segundo o veículo virtual de informações “G1”, o índice de afogueamento na Amazônia, em junho de 2020, foi o maior registrado em 13 anos. Esse cenário alarmante é decorrente de ações ilegais e despreocupadas dos pequenos e médios produtores, uma vez que estes têm necessidade de queimar e derrubar grandes vegetações, a fim de liberar espaços ocupados para o plantio e para a atividade pecuária.

Outrossim, é pertinente ressaltar as consequências do aumento dos incêndios no Brasil. Consoante Hannah Arendt, a sociedade vive ante uma ideia inconsciente conceituada como “Banalização do Mal”. Sob a ótica da filósofa, as pessoas naturalizam, irrefletidamente, práticas e concepções que as prejudicam. A população brasileira vive, atualmente, segundo a noção supracitada, uma vez que os proprietários de terra buscam ampliar suas áreas de produção por meio da realização de queimadas. Esse mecanismo utilizado pelos produtores é responsável por grandes danos à fauna, flora e aos indivíduos que moram próximos às áreas afetadas pelo fogo: as chamas destroem a grande diversidade de vegetação nativa, matam os animais que residem nesses locais e liberam, mediante a fumaça, substâncias tóxicas ao organismo dos seres humanos.

Diante do exposto, faz-se imprescindível que medidas sejam empreendidas para atenuar a incidência das queimadas nas matas nativas. Urge, portanto, que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) fiscalize as florestas brasileiras, por meio da utilização de drones que captem os focos de incêndio e registrem a localização, o horário e a área devastada, a fim de identificar a autoria do ato ilegal e puni-la severamente. Ademais, compete ao MMA, associado à grande mídia, elaborar uma intensa campanha de conscientização, que deve ser publicada em todas as redes sociais, exibindo os dados de devastação das matas, os impactos negativos do crime e o contato dos órgãos que recebem denúncias. Isso deve ser feito com o intuito de informar a população acerca dos frequentes dos danos ao meio ambiente e à saúde da sociedade, além de torná-la um agente colaborador na diminuição da ocorrência dos afogueamentos.