O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 17/07/2020

Perante a ONU, Greta, uma ativista ambiental de apenas 16 anos, expôs a clara necessidade de mudanças no que diz respeito aos cuidados com o meio ambiente, apontando o Brasil como um dos países em que tais questões são negligenciadas. O preocupante aumento de incêndios nas matas brasileiras evidencia o posicionamento da adolescente e torna necessária a discussão acerca das raízes históricas do descaso do país com seus recursos naturais e da indiferença por parte da mídia e da sociedade com relação a esse aumento.

É importante entender, de início, que o Brasil subestima seus recursos naturais e permite que eles sejam devastados desde o seu descobrimento. Nota-se que, mesmo habitando um ecossistema cuja abundância de riquezas impressionou os primeiros portugueses que tiveram contato com a região, como exposto na carta de Pero Vaz de Caminha, os índios nativos trocaram tais riquezas, sem perceber a importância delas, por objetos de pouco valor. Da mesma forma, apesar do hiato temporal, a nação menospreza a fauna e a flora que possui e as submete a queimadas, as quais, na maioria das vezes, são feitas em favor da agropecuária, cuja produção sequer visa atender às necessidades internas, mas sim objetiva a exportação. Desse modo, como afirmou Genebaldo Freire Dias, doutor em ecologia, o país apresenta um “comportamento suicida”, pois age como indígenas de 1500 ao abdicar dos seus recursos naturais e priorizar um suposto desenvolvimento econômico.

Ademais, a mídia e a sociedade em geral demonstram indiferença no que diz respeito ao aumento do número de incêndios nas matas do Brasil. Segundo o filósofo Leonardo Boff, “é dever do homem cuidar do meio, adotando uma consciência ambiental que gere debate e mudanças”, no entanto, a população e a mídia brasileiras se apresentam apáticas diante da alarmante problemática, sem fiscalizar ou denunciar tais questões. Sendo a mídia um importante meio de difundir a situação do país acerca das mais variadas questões, se ela assume o comportamento que lhe foi atribuído pelo sociólogo José Arbex - “aquela que apenas finge mostrar a realidade, ocultando fatos em favor de seus patrocinadores” -, a sociedade acaba por não tomar ciência da gravidade do problema dos incêndios. Com isso, os órgãos e empresas que cometem as queimadas criminosas permanecem com uma sensação de impunidade, o que leva ao aumento desses atos.

Diante desse contexto, cabe à mídia brasileira, por ser de fácil acesso para os brasileiros e por sua capacidade de difusão, expor a alarmante situação do aumento do número de incêndios nas matas brasileiras, por meio de novelas, filmes e noticiários, além de informar a população acerca dos meios de denunciar casos de queimadas criminosas, fazendo uso de campanhas de fácil entendimento. Isso