O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 12/07/2020
Ainda em 1934, o pintor Cândido Portinari utilizou o desmatamento como plano de fundo de sua famosa obra “O Lavrador de Café”. Quase um século depois, pouca coisa mudou: as taxas de extração vegetal crescem à medida em que os incêndios intencionais assolam as florestas brasileiras. Diante disso, observa-se que tal aumento se deve a fatores como a passividade civil e a fragilidade da punição legal.
A princípio, nota-se que o pacifismo da população diante de tal cenário é reflexo da ineficiência educacional. Quanto a isso, o pedagogo Paulo Freire cunhou o termo “educação bancária” para designar a formação de alunos voltada para a mera reprodução dos conhecimentos. Nesse sentido, ao não ser ensinado a aplicar os conteúdos para transformar sua realidade, o estudante pode até compreender a necessidade de preservar a fauna e a flora, mas desconhece meios eficientes de como fazê-lo. Tal fato culmina, atualmente, na discrepância entre a quantidade de indivíduos que repudiam as queimadas nas redes sociais e aqueles que atuam efetivamente para reduzi-las.
Outrossim, o arcaísmo do código legal no que se refere à punição para os que provocam os incêndios em florestas contribui para a problemática. Segundo dados do “Greenpeace” Brasil, apesar do incremento no valor das multas, os índices de ocorrência das queimadas se mantêm constantes. Dessa forma, diante de penalidades ineficazes e revogações na Lei de Proteção da Vegetação Nativa que favorecem o desmatamento, a integridade dos ecossistemas está cada vez mais sujeita à combustão em nome da agricultura e da pecuária.
Depreende-se, portanto, que o incremento dos incêndios nas matas do país é um problema latente. Para minimizá-lo, as secretarias de educação municipais e estaduais devem conscientizar seus discentes quanto às formas de preservação das florestas. Isso pode ser realizado por meio de parcerias com os centros educacionais, que oferecerão palestras e visitações com guias que instruirão acerca das atitudes que podem ser realizadas pelos jovens visando a defesa das matas. Além disso, cabe ao Estado ampliar as penalidades para aqueles provocarem queimadas. Tal medida pode ser feita mediante consultas públicas pela internet, nas quais a sociedade civil poderá opinar sobre quais mudanças acredita serem mais eficazes dentre as opções previamente fornecidas pelo governo federal. Espera-se, assim, que o Brasil consiga minimizar a destruição ambiental que remonta aos anos noventa.