O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 17/07/2020
Em 2008, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente desenvolveu a chamada Economia Verde, um sistema de produção que consiste em unir o desenvolvimento econômico às boas práticas socioambientais. Essa ideia foi uma forma de substituir a Economia Marrom, praticada até então, que somente prioriza o progresso monetário do país sem se preocupar com os prejuízos causados ao ecossistema. Entretanto, passados mais de doze anos, quando se reflete a respeito do aumento de incêndios nas matas brasileiras, observa-se que essa substituição, ainda, está longe de acontecer. Isso se deve ao fato do Brasil ter suas raízes voltadas às exportações de commodities e à negligência histórica do Poder Executivo com as políticas ambientais.
Em primeira análise, o aumento dos incêndios está diretamente ligado à prática do agronegócio, sobre tudo, à pecuária extensiva, a qual necessita de grandes latifúndios para ser exercida. Sob essa ótica, as queimadas são as formas mais rápidas e baratas de transformar as matas em pasto. Segundo a Organização Mundial do Comércio, o Brasil é líder na exportação de carne bovina e possui o maior rebanho do mundo. Esse fato corrobora com o crescimento da devastação dos biomas, pois os pecuaristas precisam, constantemente, de novos campos devido à compactação do solo pelos animais que impendem o crescimento da vegetação. Desse modo, economia voltada ao mercado externo contribui, significativamente, para o aumento da devastação das matas brasileiras.
Em segunda analise, o estado, ao longo do tempo, vem sendo negligente em relação as queimadas, pois não investiu no desenvolvimento de tecnologias nem na contratação de pessoal, de modo que impedissem o crescimento desses delitos. De acordo com o jornal Folha de São Paulo, no último ano o orçamento do IBAMA diminuiu cerca de 20% em relação ao ano anterior. Sob essa perspectiva, como o Brasil possui dimensões continentais, torna-se impossível fiscalizar e punir os infratores tendo uma infraestrutura arcaica e defasada. Desse modo a desaparelhagem dos órgãos fiscalizadores abre caminho para a crescente devastação dos biomas brasileiros.
Portanto, medidas para alterar esse cenário devem ser tomadas. Nesse sentido, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, por meio de portaria, obrigar todos os Estados à construírem Bases Ecológicas, que funcionarão como observatórios com tecnologias via satélite e fiscais ambientais de prontidão, como forma de agir rapidamente caso acontença algum crime e, principalmente, instruir a população, especialmente os mais jovens, a respeito dos males, os quais as queimadas causam ao meio ambiente, com o objetivo de formar uma geração em que progresso e meio ambiente caminhem juntos. Somente assim, o país conseguirá, segundo o PNUMA, substituir a cor marrom de sua economia pela cor verde.