O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 10/07/2020
Segundo o INPE, o Brasil chegou ao fim de 2019 com aproximadamente 320 mil quilômetros quadrados de área florestal queimada, o que corresponde a quase o dobro do ano anterior. Assim, se torna necessário enumerar os motivos: o descaso gritante contra a natureza, por parte do presidente da República; a violência crescente contra os indígenas e o desrespeito às suas terras, por parte dos produtores rurais. É de suma importância proteger as matas e florestas, evitando sua destruição.
Primeiramente, um relatório do Instituto Socioambiental (ISA) denota que, no ano de 2019, 115 terras indígenas foram atingidas pelo desmatamento. No Pará, essa destruição praticamente sextuplicou, aumentando em 656%. Sabe-se que foi nessa época que ocorreram as grandes queimadas na Amazônia, deixando vários povos nativos doentes, desabrigados ou até mortos, em casos mais graves. No entanto, além das consequências para a saúde dos indígenas que vivem próximos aos locais afetados, Giovani Tapurá afirma que há outros problemas desencadeados pelos incêndios. Ele é filho do cacique Manoel Kanunxi, liderança do povo Manoki que vive ao noroeste do Mato Grosso. Giovani alega que os locais consumidos pelo fogo possuíam plantas medicinais, frutos e animais utilizados na caça, sendo, portanto, essenciais para o sustento dos povos locais. Assim, é possível perceber que a vida dos nativos é diretamente afetada pelas queimadas.
Além disso, os incêndios agravam males de ordem ambiental. Segundo André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), as três maiores consequências ecológicas das queimadas são a diminuição drástica da biodiversidade, a perda da qualidade do solo e o aumento de problemas de saúde, geralmente respiratórios. Ademais, reações de combustão produzem gás carbônico, um dos gases do efeito estufa que aceleram e intensificam o aquecimento global. Tendo isso em vista, dados do “Climate Watch”, plataforma online disponibilizada pelo “World Resources International” (WRI) e voltada para a exposição de informações ambientais, revelam que, desde 1980, o Brasil tem estado entre os maiores produtores de gás carbônico do planeta. Isso se deve principalmente à queima de combustíveis fósseis, mas o recente aumento exponencial do número de incêndios deve agravar essas estatísticas.
Em conclusão, é preciso reforçar políticas ambientais que combatam o desmatamento e as queimadas. O Congresso Nacional deve aprovar cada vez mais leis que instituam multas graves aos incendiários e garantir que os indígenas que sofrem com a perda de suas terras sejam remunerados e tenham seus lares restituídos. Além disso, devem sugerir e aprovar leis que punam o desrespeito às demarcações indígenas, todas essas medidas visando combater os incêndios e proteger as matas.