O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 17/09/2020

No filme “Avatar”, é narrada a viagem de humanos para o planeta Pandora, cujo aspecto marcante é a sua biodiversidade natural. Nesse sentido, devido à ganância humana, os viajantes decidem atear fogo em suas florestas para, assim, espantar os animais e explorar o ambiente. Fora da ficção, é fato que a realidade fictícia do universo de “Avatar” pode ser relacionada à realidade ambiental brasileira, uma vez que o aumento dos incêndios nas matas nacionais acarreta a nocivas consequências tanto para a fauna, quanto para a flora locais. Nesse preocupante contexto, é imprescindível compreender como a busca pelo enriquecimento individual e a inobservância estatal contribuem para esse aumento.

Em primeiro lugar, é importante destacar que parte da sociedade encontra-se “cega” por conta da necessidade exagerada de lucrar. No curta-metragem “Man”, de Steve Cutts, por exemplo, é retratada a vida de um homem alienado que, em busca de de enriquecimento pessoal, destrói florestas e extingue diversos animais. Paralelamente, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida considera a natureza apenas como uma oportunidade de negócio, ainda que, para lucrar, seja necessária sua destruição. Dessa forma, as queimadas ilegais das matas brasileiras representam, mesmo que indiretamente, o egoísmo e a “cegueira” de indivíduos em prol de sua satisfação pessoal.

Além disso, o descaso governamental em promover políticas públicas que impeçam incêndios - naturais ou criminosos - corrobora a persistência da problemática. Nessa lógica, segundo o filósofo Aristóteles, “política é a arte de gerir a pólis visando ao bem comum”. Contudo, apesar de o Artigo 225 da Constituição Federal assegurar que é dever do Estado garantir um meio ambiente ecologicamente equilibrado para a sua nação, esse direito não é concretizado, por completo, na prática. Isso se evidencia no fato de que, constantemente, telejornais “bombardeiam” a população com notícias sobre queimadas e mortes de animais silvestres. Dessa forma, por conta da falta de investimentos, o país se afasta da máxima aristotélica e cada vez mais espécies correm risco de extinção.

Portanto, medidas são necessárias para promover a proteção das matas brasileiras. Nesse viés, além de desenvolver campanhas publicitárias contra as queimadas, o Estado e o Ministério Público devem aumentar os repasses orçamentários ao Ministério do Meio Ambiente para que novos programas contra incêndios sejam criados. Isso deve ocorrer por meio de um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados para, assim, assegurar o aumento dos investimentos nesse setor e, consequentemente, proteger a fauna e flora brasileiras. Diante dessas medidas, espera-se que a realidade de Pandora permaneça apenas na ficção.