O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 11/09/2020

Um dos dezessete objetivos do desenvolvimento sustentável (ODSs), definidos pela ONU em 2015, é promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres. Observa-se, no entanto, um cenário reverso do proposto, visto que as ações antrópicas têm resultado no aumento de queimadas no ecossistema florestal, o que traz severos danos ambientais.

Em primeiro plano, é relevante abordar que o aumento dos incêndios florestais no Brasil é decorrente principalmente da ação humana. Utilizar o fogo, apesar de ser um crime ambiental, é uma técnica amplamente adotada por agricultores para o preparo de áreas para plantio. Entretanto, muitas vezes essas queimadas não são suficientemente controladas e atingem áreas naturais, o que causa devastação de extensos habitats florestais. De acordo com a WWF-Brasil, mais de 90% dos focos de incêndio do Pantanal neste ano, por exemplo, foram causados pela ação do homem. A escassez de recursos e desinformação dos produtores rurais são fatores determinantes para a persistência da adoção desta prática.

Como consequência, o uso incorreto do fogo ocasiona impactos negativos. A perda de biodiversidade, alteração das propriedades físicas e químicas do solo, e agravamento do efeito estufa pela emissão de gás carbônico são alguns dos efeitos desse crime ambiental. Informações divulgadas pelo INPE revelaram que, só em 2020, 12% do bioma Pantanal foi devastado, e que os danos podem ser irreversíveis. Paradoxalmente, neste ano o Governo Federal reduziu as verbas destinadas a fiscalização e controle de incêndios, o que inviabiliza, ainda mais, a diminuição dessas consequências.

É urgente, portanto, reverter esse cenário hediondo. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve ampliar os programas de assistência técnica e extensão rural aos trabalhadores, com vistas a fornecer informações e subsidiar a utilização de técnicas sustentáveis para o desenvolvimento do agronegócio. Consoante a isso, cabe ao Governo Federal destinar maiores recursos para os órgãos ambientais, de forma a ampliar a fiscalização e combate às queimadas criminosas e atenuar os prejuízos causados pela atividade. Só assim, estaremos caminhando na mesma direção dos ODSs.