O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 25/10/2020
“Qual será a nossa escolha: degradação ou recuperação?”. Para o ecologista americano Carl Safina, tal indagação tem o potencial de alterar caminhos que ferem o meio ambiente e a vida do homem, já que um ecossistema é a inter-relação homem-natureza. Entretanto, a contínua escolha pela degradação favorece a presença de incêndios nas matas brasileiras, ocasionando perdas da biodiversidade. Tendo em vista que a natureza precisa de ações para sua recuperação, é fundamental combater o desmatamento e fiscalizar o manejo agropecuário, visto que são causas para o desastre enfrentado na modernidade brasileira.
A princípio, é necessário avaliar a relação do desmatamento com a ocorrência de queimadas nos biomas presentes na nação. Em consonância com uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mais de 99% dos incêndios florestais são causados pela ação humana. Nesse sentido, se torna evidente que a prática do desmatamento é a maior vilã da problemática , uma vez que gera o “Efeito de Borda” , conceituado pela Biologia como a situação pós-desmatamento, ou seja, as árvores que ficavam no interior da floresta passam a estar nas bordas da fragmentação e ficam expostas à região seca, com extrema irradiação solar. Assim, devido ao aumento do material combustível que se forma a partir da mortalidade das árvores, as bordas das florestas ficam mais suscetíveis ao fogo. Por esse viés, é inegável que o homem fere a biodiversidade de modo infeliz e inconsequente, necessitando, desse modo, ações governamentais que mitiguem tal erro humano.
Em seguida, o manejo agropecuário também configura como impasse à recuperação ambiental. De acordo com o documentário brasileiro “Sob a pata do boi”, a pecuária é responsável por focos de incêndios nas áreas florestais. Como abordado na obra, a agricultura usa a queimada como forma de abrir pastagens para preparar a terra para o cultivo de gado e lucrar com o desenfreado consumo de carne pela população brasileira. Embora essa prática seja assegurada pela Lei número 12.651/12 inserida no Código Florestal do Brasil, ela apenas é legal quando realizada a partir da autorização dada pelos órgãos e feita com controle máximo. No entanto, a realidade não condiz com o idealizado, visto que muitos agricultores realizam queimas ilegalmente com a preocupação única de lucro maximizado. Logo,o governo, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, deve levar campanhas de cunho preservativo às instituições de ensino, realizadas por ecologistas, com vistas a suscitar senso crítico e o cuidado à natureza, bem como apoiar, por meio de tecnologia avançada, o mesmo o INPE - órgão supracitado- a realizar, anualmente,vistorias nas áreas de criação de gado, além de criar sanções que repreendam práticas ilegais. Assim, a indagação de Safina terá uma nova resposta: a recuperação.