O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 20/10/2020

No filme “Avatar”, do diretor James Cameron, é narrado um futuro distópico, no qual humanos encontram um planeta chamado Pandora, cujo aspecto marcante é a sua riqueza natural intocada. Nesse sentido, os viajantes, em busca de enriquecimento pessoal, ateiam fogo nas vegetações para espantar os animais e explorar o espaço. Fora da ficção, é fato que a realidade de Pandora pode ser relacionada à realidade social brasileira, uma vez que o aumento dos incêndios nas matas nacionais acarreta a nocivos problemas para a sobrevivência da fauna e flora locais. Nesse preocupante contexto, é imprescindível compreender a importância dos bens naturais para a formação de uma identidade cultural e como a inobservância governamental contribui para a persistência desse aumento.

Em primeiro lugar, é relevante destacar que as belezas naturais brasileiras são essenciais para a consolidação de uma identidade cultural comum. Nessa lógica, a natureza nacional reflete um passado de luta e resistência, dado que foi extremamente explorada, desde a colonização, por seu alto valor econômico. Desse modo, a sua preservação deveria ser primordial, visto que representa a cultura e a da história locais, partes formadoras do sentimento de nacionalismo. Com efeito, isso evitaria o conceito de “Indústria Cultural”, dos filósofos Adorno e Horkheimer, no qual afirmam que há uma massificação da cultura para tornar os indivíduos facilmente atingíveis e extremamente consumistas. Assim, é notório o papel das matas nacionais na formação de um sentimento de pertencimento ao Estado-nação.

Além disso, a insuficiência governamental em promover políticas públicas de proteção contra incêndios nas matas corrobora a sua perpetuação. Nesse viés,  segundo o filósofo Aristóteles, “política é a arte de gerir a pólis visando ao bem comum”, o que revela o papel do Estado em promover o bem-estar social. Contudo, apesar de o Artigo 225 da Constituição Federal garantir ao Poder Público o dever de defender e proteger o meio ambiente, esse direito não é concretizado, por completo, na prática. Isso se evidencia, por exemplo, nas constantes queimadas ocorridas no Pantanal, em 2020, que geraram prejudiciais riscos de extinção das espécies locais. Dessa forma, o país se afasta da máxima aristotélica, o que pode causar, no futuro, a perda dessa preciosa riqueza natural.

Portanto, o aumento dos incêndios nas matas brasileiras deve ser combatido. Dessa maneira, o Estado e o Ministério Público devem criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, com o objetivo de aumentar as fiscalizações e os investimentos no combate às queimadas. Isso deve ocorrer por meio de parcerias com empresas privadas para que seja realizada uma melhor monitorização do meio ambiente e, assim, evitar o surgimento de novos focos de incêndio. Diante disso, espera-se que o futuro brasileiro seja diferente do futuro de Pandora.