O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 16/01/2021
De acordo com Paul Watson, cofundador do Greenpeace, “inteligência é a habilidade das espécies para viver em harmonia com o meio ambiente”. Entretanto, mesmo que essa visão esteja correta, tal cenário não é concretizado no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que o número de incêndios nas matas do país aumenta a cada dia. Isso ocorre ora devido às atividades do agronegócio, ora em decorrência da precária educação ambiental nas escolas brasileiras.
Primeiramente, é imperativo relacionar o agronegócio com o pensamento de Edward Osborne Wilson. Segundo o biólogo americano, “nenhuma circunstância justifica destruir o legado natural da terra”. Nessa perspectiva, os empresários do ramo da monocultura e pecuária divergem desse raciocínio, já que, covardemente, desmatam e ateiam fogo em biomas, por meio da ampliação da fronteira agrícola no Cerrado e na Amazônia, e utilizam a economia como justificativa. Assim, com essa atitude do setor produtivo e, juntamente a isso, a ineficácia dos orgãos fiscalizadores do Estado, as queimadas continuarão ocorrendo.
Posteriormente, é imperioso concatenar a péssima educação ambiental nos colégios com o pensamento de Victor Hugo. Conforme o dramaturgo francês, “primeiro foi necessário civilizar o homem com relação ao próprio homem, agora é necessário civilizar o homem com relação à natureza e aos animais”. Sob esse viés, o vigente ensino baseado apenas na ética de convívio social e no “Racionalismo Cartesiano”, no qual o indivíduo é ensinado a ver a natureza como algo a ser utilizado, causa a perpetuação da formação de adultos insensíveis à natureza e que naturalizam a devastação. Dessa maneira, o Governo mantém, indiretamente, esse cenário vergonhoso.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para tornar possível a mitigação dos incêndios nas matas brasileiras. Logo, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, seja revertido no aperfeiçoamento da fiscalização. Essa ação deve ser feita por meio da melhoria do monitoramento com investimento em drones para acompanhamento remoto e, concomitantemente a isso, aperfeiçoar o treinamento de profissionais do Ibama, mediante simulações em mata fechada, para tornar a ação direta mais rápida e,em parceria com o exército brasileiro, prender os transgressores. Ademais, faz-se imprescindível a obrigatoriedade de aulas em escolas públicas focadas na educação ambiental, ministrada por ecólogos. Com a finalidade, respectivamente, de acabar com incêndios criminosos, mediante a ação rápida dos fiscalizadores, e criar jovens que respeitem a natureza. Dessa forma os brasileiros desenvolverão a inteligência definida por Paul Watson e viverão em harmonia com o meio ambiente.