O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 12/01/2021
No livro “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista goza de uma imagem extremamente otimista do Brasil que, na opinião dele, necessitava de apenas alguns ajustes para tornar-se uma nação desenvolvida. No entanto, fora da literatura, persistem mazelas que atrasam o progresso do país, dentre elas destaca-se o aumento dos incêndios nas matas brasileiras. Tal cenário é fruto não só de fatores sociais, mas também da inércia governamental em atuar nesse problema.
Primeiramente, é essencial destacar o aspecto social desse imbróglio. Na obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, o autor demonstra, por meio da mudança comportamental dos personagens, como o meio é capaz de influenciar as atitudes humanas. Nessa perspectiva, ao trazer esse raciocínio à luz da sociedade brasileira, construída na exploração do meio ambiente desde a vinda da Coroa Portuguesa, e que não possui educação ambiental no âmbito escolar para que, com isso, consiga entender , de maneira clara, a gravidade de tais queimadas; compreende-se o motivo da sociedade não pressionar as autoridades políticas a combaterem essa problemática. Esse contexto prorroga o impasse.
Outrossim, deve-se considerar a falta de resposta do Estado como uma das bases desse impasse. A Constituição Federal de 1988 defende, entre outras coisas, a preservação ambiental pelas forças de Governo e da sociedade. Contudo, apesar da defesa constituicional, faltam recursos para que os órgãos de fiscalização e proteção ambiental consigam coibir os incêndios criminosos e, por consequência disso, os responsáveis por tais delitos não sofrem uma punição estatal, ou seja, saem ilesos desses crimes, gerando, assim, um ciclo de queimadas, que necessita, urgentemente, ser combatido no Brasil.
Depreende-se, portanto, ser mister intervenções que combatam o aumento de incêndios nas matas brasileiras. Para isso, o Ministério da Educação, aliado às Secretarias Estaduais de Educação, promoveria palestras, aulas e debates em escolas públicas e privadas, para crianças e adultos, demonstrando a importância da preservação ambiental e o prejuízio oriundo das queimadas, além disso, esses encontros ensinariam como cobrar dos representantes políticos o combate a essa questão, potencializando a valorização ambiental na sociedade. Ademais, o Congresso Nacional de maneira urgente, realizaria repasses financeiros para melhorar a estrutura das instituições que combatem a exploração ambiental e, consequentemente, as queimadas, tal melhora daria as condições necessárias para punir os indivíduos que cometem esse crime, o que desmotivaria novos criminosos a entrarem nesse meio, quebrando, assim, o ciclo de queimadas nas matas nacionais. Com tais medidas, o Brasil estará mais próximo da nação desenvolvida almejada por Policarpo Quaresma.