O aumento de incêndios nas matas brasileiras
Enviada em 21/07/2021
A Canção de Exílio, escrita pelo poeta Gonçalves Dias, expressa a saudade do eu-lírico da natureza exuberante do Brasil, enquanto ele estudava em Coimbra, Portugal. No entanto, o crescente número de queimadas florestais ameaça gravemente a natureza brasileira, exaltada pelo poeta outrora. À vista disso, esse cenário configura-se como um quadro a ser revertido pelo Estado. Para tal, deve-se analisar a principal causa e a decorrência do impasse: dificuldades de fiscalizar e a redução da biodiversidade. Nessa perspectiva, é válido destacar que a monitoração incipiente das áreas florestais catalisa a persistência do problema. Sob esse viés, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 2017, foram queimados criminalmente cerca de 1 milhão de hectares dos biomas. Desse modo, esses atos ocorrem, em sua maioria, pela preparação errônea de áreas para pastagem e plantio, por conseguinte, o incêndio atinge grandes proporções pelo alastramento das chamas. Nessa lógica, conforme a teoria das Instituições Zumbi, elaborada por Zygmunt Bauman, as autoridades, embora existam, não exercem seu papel eficientemente na prática. Portanto, o caráter “zumbi” das instituições de monitoramento dos focos de incêndio perpetua a ocorrência dessas catástrofes.
Outrossim, faz-se imprescindível analisar não só a causa, mas também a consequência desse entrave. De acordo com o cientista ambiental Norman Myer, o Brasil é considerado um “hotspot” ambiental, ao passo que possui uma grande biodiversidade, mas ao mesmo tempo é uma zona extremamente ameaçada. Nessa aspecto, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) declarou que em 2020, 65 milhões de animais vertebrados foram afetados pelo incêndio no pantanal. Isto posto, essa estatística confirma a ameaça à fauna e a flora do Brasil relatada pelo cientista. Sendo assim, é válido enfatizar que o ecossistema brasileiro é importante para o planeta, uma vez que os biomas são importantes reguladores climáticos e possuem grandes reservas hídricas. Dessa maneira, mitigar as queimadas florestais é garantir a perpetuação da espécie humana e da dinâmica terrestre.
Portanto, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa problemática. Logo, cabe ao INPE, em parceria com a Polícia do Meio Ambiente, criar bases estratégicas com policiais e brigadistas de incêndio, para cobrir a maior área florestal possível, com o fito de combater a queimada antes que ela tome grandes proporções e iniciar a investigação para punir os infratores. Para tanto, faz-se necessário que o satélite brasileiro Amazônia-1, pertencente ao INPE, envie coordenadas em tempo real dos focos de calor para as bases. Além disso, o Tribunal de contas da União-órgão que aprova feitos públicos- deverá conceder verbas para financiar a construção dos polos. Destarte, será atenuado os incêndios ambientais, preservando a natureza exaltada por Gonçalves Dias.