O aumento de incêndios nas matas brasileiras

Enviada em 10/10/2024

Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatiza que é preciso analisar as relações sociais existentes em um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e favorecer o progresso coletivo. No entanto, verifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade atual, uma vez que o aumento dos incêndios nas matas brasileiras é um problema preocupante. Com efeito, é importante enunciar os aspectos sociopolíticos e socioculturais como essenciais pilares da chaga. Desse modo, ações mitigantes são necessárias para reverter o quadro.

Diante disso, é necessário apontar a negligência governamental como causadora da mazela. Nesse sentido, o filósofo Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a responsabilidade do Estado — representado por um monstro marinho — em proporcionar meios que visem a harmonia social, mediante ações coletivas entre as autoridades. Todavia, nota-se a falta de medidas adotadas pelos governantes, como a fiscalização efetiva de infrações que causam incêndios nas matas, a exemplo do descarte prejudicial de cigarros nesse tipo de ambiente, o que contribui para o surgimento de chamas fora de controle.

Ademais, é preciso considerar o fator grupal. De acordo com o filósofo alemão Jurgen Habermas, a razão comunicativa — ou seja, o diálogo — constitui uma etapa fundamental no desenvolvimento social. Nesse ínterim, o diminuto estímulo ao debate — em setores midiáticos, escolares e familiares — a respeito dos malefícios causados pelos incêndios nas matas brasileiras, coíbe o poder transformador da ação e, consequentemente, ocasiona a formação de indivíduos sem pensamento crítico e empatia. Esses, por esse motivo, fomentam o impasse, haja vista que, pela falta de exploração dessa temática, acabam negligenciando e não dando a devida importância à gravidade desse dilema.

Infere-se, portanto, que o cenário tem raízes políticas e culturais. Dessa forma, cabe ao Estado — instituição garantidora de direitos fundamentais — realizar palestras que ressaltem a importância da prevenção de aumento dos incêndios. Essas ações devem ser realizadas por meio do amplo apoio do poderes estaduais e municipais, com o intuito de atenuar os perigos desse entrave e promover a consciência e criticidade aos indivíduos, além de amenizar a morosidade estatal.