O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 17/04/2018
As DSTs no Brasil ganharam destaque entre as décadas de 80 e 90, quando os casos de AIDS aumentaram exponencialmente no país. Cazuza, primeira personalidade nacional a se declarar soropositivo, já cantava “(…) o meu prazer agora é risco de vida (…)” em sua canção “Ideologia”, o que expõe a influência da doença em sua arte. O cantor é até hoje símbolo da luta contra as DSTs, pois contribuiu a fim de que houvesse a conscientização acerca da AIDS e seus efeitos.
A partir de então, o Brasil avançou significadamente no combate a tais doenças: a distribuição de preservativos aumentou quase que 50% entre 2010 e 2011, além da distribuição universal e gratuita dos antirretrovirais ter se tornado um direito garantido pela Constituição, assim como o Ministério da Saúde também ter passado a oferecer gratuitamente exames para detectar o HIV.
Embora a AIDS obtenha destaque em virtude de ser uma das doenças que mais mata no Brasil, por outro lado, outras DSTs também se tornaram evidentes e têm crescido no país, entre elas a sífilis e a gonorreia - em 2016 o Ministério da Saúde reconheceu o descontrole da sífilis e declarou epidemia, enquanto recentemente a Organização Mundial da Saúde alertou a gravidade do avanço da gonorreia, pois a bactéria causadora da doença têm desenvolvido resistência, além do baixo investimento da indústria farmacêutica em antibióticos ter colaborado para o seu avanço.
A ascensão das DSTs, entretanto, é efeito de menos da metade da população sexualmente ativa fazer o uso de preservativos - o que explica a contradição em as políticas de combate às doenças terem se ampliado enquanto os casos aumentaram. A região Sudeste, também a mais urbanizada e desenvolvida do país, é a que abrange a maior parte dos casos de infecção, o que indica que o problema não é a falta de informação, mas que a população se acomodou com o avanço dos tratamentos contra a AIDS, principalmente as novas gerações - o medo, causado pela letalidade da doença nas décadas anteriores deixou, portanto, de ser eficaz para que houvesse prevenção.
Assim sendo, percebe-se que o caminho mais válido com o propósito de impedir o avanço das DSTs no Brasil deve se efetuar por meio da consolidação de uma conscientização coletiva principalmente entre os jovens, faixa etária mais atingida. Para que isso se realize, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, devem promover palestras de educação sexual nas escolas e universidades, levando pessoas que possuem experiência com as doenças e especialistas a alertar os jovens - dessa forma, a prevenção será maior. Ademais, esses também podem promover campanhas nas mídias sociais e meios de comunicação sobre a importância da realização de exames que detectam tais doenças, fazendo com que pessoas infectadas se tratem e avisem seus parceiros.