O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 08/05/2018
“Meu prazer agora é risco de vida”. Esse trecho da música “Ideologia”, criada por Cazuza no ano de 1988, retrata um período de luta na vida do cantor contra uma das doenças que mais assustaram o mundo: a Aids. No Brasil contemporâneo, no entanto, apesar da evolução profilática e do acesso às informações, as patologias sexualmente transmissíveis afetam um número cada vez maior de pessoas. Nesse sentido, faz-se necessário combater as causas da problemática.
Mormente, percebe-se que a falta de diálogo e a irresponsabilidade dos indivíduos corroboram para o impasse. Isso porque, embora exista a divulgação de informes nas redes sociais, muitos pais, seja pelo tabu construído socialmente, seja por destinarem maior tempo ao trabalho, não conversam com seus filhos sobre a sexualidade. Consequentemente, esses jovens desenvolvem uma noção equivocada de que, com o avanço medicinal, as DSTs podem ser facilmente controladas e, ao adquirir a enfermidade, não conseguem reconhecer seus sintomas. Por exemplo, segundo dados do Ministério da Saúde, embora 9 em cada 10 adolescentes saiba que a camisinha é o meio mais eficaz de evitar o HIV, apenas 6 em cada 10 desses jovens usaram preservativo na última relação sexual.
Ademais, nota-se ainda que há um realce de apenas um grupo etário na problemática. Isso visto que, além de serem descontínuas, as ações preventivas enfatizam, normalmente, apenas a parcela juvenil da sociedade, de forma a negligenciar a sexualidade dos grupos mais idosos. Além disso, as pessoas que estão na terceira idade atualmente viveram num contexto em que não existiam tais doenças, de maneira a não se reconhecerem como um grupo vulnerável. A título de exemplo, consoante a pesquisa Gentis Panel, mais de 60% dos indivíduos de 60 a 80 anos estão no grupo dos que se abstém do sexo seguro. Consequentemente, compromete-se a qualidade de vida desses usuários, os quais estão confinados a viver com o uso periódico de medicações.
Urge, portanto, que as doenças sexualmente transmissíveis ameaçam o bem estar social. Destarte, o Governo, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, deve criar uma estrutura abrangente em combate a essas afecções, por meio de palestras, ministradas por especialistas na área - como sexólogos - e destinadas a todas as faixas etárias, sobre a importância da discussão do tema e as formas de prevenção das DSTs, bem como distribuir kits de profilaxia pós-contato para os enfermos; a fim de atenuar o aumento dos casos. Outrossim, ONGs e instituições sem fins lucrativos devem criar ouvidorias e aplicativos para promover o debate e transmitir informações confiáveis, de modo a cessar as dúvidas sobre o assunto. Dessa forma, o “risco de vida” que vitimou Cazuza não mais atingirá um grande contingente de pessoas.