O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 25/05/2018

A palavra ´´Sífilis é derivada do poema Syphilis Sive Morbus Galliscus, de Girolamo Frascatoro. O protagonista, Syphilus, é castigado pelos deuses com uma doença repugnante, que o autor descreve como hoje chamamos de Sífilis. Da década de 1980 até meados da de 1990, a Aids herdou esse codinome de ´´castigo divino. Essa ideia de punição embutida nessas e em outras doenças sexualmente transmissíveis, revela um pouco sobre a questão do tabu que circunda o sexo entre a sociedade, sobretudo, a brasileira. No contexto das DSTs, essa característica do corpo social, junto ao perfil hedonista dos jovens contemporâneos, explicam o  grande aumento dessas infecções no Brasil e pedem por medidas para frear tal situação.

Em primeiro plano, se faz necessário ressaltar a forte presença do conservadorismo em muitos setores do país, que carrega consigo a resistência e preconceito em debater assuntos tão intrínsecos ao comportamento humano, como as relações sexuais. Por consequência, é grande o número de pessoas com pouca informação sobre o assunto e suscetíveis as implicações que isso causa. O resultado desse cenário é o aumento de casos de infecções sexualmente transmissíveis. Entre os números divulgados pelo Ministério da Saúde, as DSTs têm ocorrência principalmente entre os jovens e, mesmo assim, o Brasil, entre os países da América Latina, tem o pior índice no quesito de introdução à temática do sexo nos currículos escolares por culpa do tabu que existe em torno do assunto.

Em outra vertente, uma pesquisa do Ministério da Saúde mostrou que 9 em cada 10 jovens de 15 a 19 anos sabem que usar camisinha é o melhor jeito de evitar DSTs, ao mesmo tempo, 6 em cada 10 destes adolescentes não usaram preservativo em alguma relação no último ano. Quando perguntados as justificativas para deixar de lado a proteção mesclam a falta de preocupação, de informação e o fato de acharem mais prazeroso o ato sem o uso da camisinha, deixando claro os traços hedonistas dessa geração que coloca em risco sua saúde sexual.

Diante dessa conjuntura, medidas devem ser tomadas para reverter esse cenário de aumento de DST no Brasil. Em escala governamental é cabível ao Ministério da Saúde e o da Educação uma parceria para criação de um projeto mirado na conscientização da sociedade. Tal projeto pode se realizar por meio do aumento de campanhas em redes nacionais em horários nobres e intermitentemente ao longo do ano, também por meio da elaboração de um programa pedagógico e de materiais didáticos centrados na temática, a serem trabalhados nas escolas e nos postos de saúde. É importante que em ambos os meios, os métodos preventivos estejam bem expostos quanto à importância que assumem nesse  contexto. Espera-se, com isso, superar tabus e a desinformação e frear os casos de DSTs.