O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Para o filósofo alemão Hegel, as ideias e as verdades são mutáveis de acordo com a construção dialética da história e as vivências de uma geração. Dessa maneira, é possível estabelecer um paralelo entre o aumento dos infectados por DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) no Brasil, a grande parcela de jovens dentro desse número e as experiências desses pupilos enquanto nascidos no século  XXI, que, em decorrência de sua realidade socio-cultural, têm se prevenido cada vez menos contra essas patologias.

A AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) é uma DST que multiplicou-se pelo mundo durante as guerras de independência das colônias da África (lugar que deu origem ao vírus nos humanos a partir do vírus SIV presente em macacos-verdes africanos) em 1960, com o refúgio de alguns infectados pelo mundo, que levavam consigo o vírus sexualmente transmissível. Assim, até meados de 1900, ela se espalhará e causará grande pânico na população mundial que passa - inclusive no Brasil - a se prevenir a partir de quaisquer método disponível, em decorrência da realidade social amedrontada daquela época. No entanto, a partir dos anos 2000, com os tratamentos avançados da doença e a possibilidade de administrá-la com medicamentos, a prudência e a prevenção tem diminuído, e o número de casos, principalmente em jovens, aumentado.

Além disso, situações como a de Gabriel Comicholi, que depois de contrair AIDS aos 20 anos começou um canal no Youtube com o intuito de ressaltar o grande tabu acerca das DSTs e a necessidade de discuti-las em larga escala na sociedade, mostram que o debate restrito sobre essas enfermidades no século XXI contribui para a manutenção desse quadro expoente. Contudo, com a dilatação dos índices não apenas da AIDS, mas também de outras DSTs, a população sofre riscos à saúde como sequelas ao sistema nervoso central e a possibilidade da mãe portadora passar a enfermidade para o feto (como é o caso da Sífilis), o acréscimo de doentes em virtude do câncer (como pode ocorrer mediante a contração do HPV) ou incitar a resistência dos vírus e bactérias aos remédios e vacinas existentes em virtude da grande expansão das doenças nacionalmente.

Destarte, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, por meio do direcionamento de verbas, criem fins de semana culturais na urbe e nas escolas, ministrados por pacientes que vivem com DSTs, historiadores e médicos, com o fito de compartilharem experiências e desmistificarem o tabu em torno do assunto, para que haja uma a maior preocupação em prevenir-se nos atos sexuais e evitar-se a contração de doenças. Mediante essa ação, espera-se que, independentemente das vivências das diferentes gerações, as DSTs possam ser combatidas.