O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 13/11/2018
O aumento do número de indivíduos acometidos por infecção sexual-mente transmissível (IST), anteriormente denominadas DST, tem se torna-do um grave problema de saúde pública no Brasil. As novas gerações não conheceram o temor vivido nos anos 80 pela disseminação do vírus HIV por todo o mundo, bem como não conhecem os estigmas atribuídos a doenças como a sífilis em mulheres e crianças como castigo divino. O surto recente em todo o país tem fundamento cultural de importante discussão.
Primeiramente, o contexto de desenvolvimento e interação dos jovens é bastante diferente das gerações anteriores. Hoje, a liberdade sexual e o acesso à informação são premissas para a interação social e a formação da própria identidade. Conforme a PCAP 2013, cerca de 60% dos jovens entre 15 e 24 anos tiveram relações sexuais sem preservativo e que 19,5% tiveram cinco ou mais parceiros no último ano. Esse excesso de confiança de que “nunca vai acontecer comigo”, combinado com a falta de proteção e a uma alta rotatividade nos contatos sexuais, contribui para o surto de IST.
Ainda, de acordo com o infectologista Francisco Ivanildo, o aumento dos casos de IST é reflexo da negligência quanto à própria saúde e à gravidade das doenças. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2005 e 2015, os casos de HIV mais que dobraram na faixa etária entre 20 e 24 anos e que, no caso da sífilis adquirida, entre 2014 e 2015, houve um crescimento de 32,7%. Essa última tem um efeito ainda mais grave: a congênita, contraída por bebês sujeitos a sequelas, cresceu 19%.
Assim, percebe-se a urgência de mudar a abordagem de comunicar aos jovens a importância da prevenção. O Ministério da Saúde deve reformular o programa de IST, para que além das escolas e postos de saúde, as redes sociais sejam utilizadas como espaço para debate e pro-moção de informações. Dentro do novo programa, aplicativos de encontros para celulares deverão conter também avisos e orientações sobre o tema. Dessa forma será possível obter um canal de comunicação com as novas gerações, promovendo a prevenção e a saúde para o futuro do país.