O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 04/07/2018

Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca do aumento de infectados por DSTs no Brasil. Após Colombo retornar à Europa de sua primeira viagem pelo Atlântico, em 1495, a sífilis se alastrou entre soldados franceses, tornando-se uma epidemia. Atualmente, apesar dos avanços da medicina e da consolidação de diversas medidas preventivas, as doenças sexualmente transmissíveis ainda são uma realidade vigente. Logo, a fim de entender o problema e alcançar melhorias, é crucial observar como a desinformação e a precária comunicação com a sociedade afetam esse cenário.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a falta de informação populacional, principalmente entre os jovens, é um entrave para a redução das doenças sexualmente transmissíveis. Isso ocorre, sobretudo, em razão da ausência de debates sobre educação sexual e da falta de orientação a respeito dos riscos em relacionar-se sexualmente sem proteção. Com isso, uma parcela de jovens desacredita na possibilidade de contrair doenças através do sexo, uma vez que não compreendem a dimensão e a nocividade. Para ilustrar, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, cerca de 60% das pessoas não utilizam preservativos. Assim, nota-se, a partir da frase de Aristóteles, a qual diz que todos os homens têm, por natureza, o desejo de conhecer, a importância de tornar a informação acessível.

Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que, a inepta abrangência social das campanhas informativas referentes às DSTs é um obstáculo para o desenvolvimento de uma nação mais saudável. Vale salientar que, isso advém de juízos morais e tabus sociais em relação aos portadores do vírus, os quais acabam por obstaculizar a difusão de informações e o acesso ao tratamento antirretroviral. Dessa forma, a postura dos órgãos governamentais e das empresas ao abordarem o assunto é análoga aos costumes morais da sociedade. Desse modo, estima-se, que as ocorrências de sífilis por transmissão sexual cresceram 603% em seis anos, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo.

Portanto, observa-se que a permanência dessa condição é fruto de uma sociedade conservadora.

Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe à elaboração de rodas de conversas em escolas com profissionais da área de saúde, acerca dos riscos das DSTs e da necessidade de usar preservativos como método profilático, além de inserir aulas de educação sexual na grade curricular do ensino médio e utilizar as redes sociais como um canal voltado para tirar as duvidas dos jovens, com o propósito de facilitar a comunicação e contribuir na formação de pessoas conscientes. É imprescindível, também, que o Ministério da Saúde por meio de palestras públicas e cartilhas informativas, desmistifique os estigmas existentes e alcance todos os grupos sociais, visando viabilizar a efetiva prevenção.