O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 28/09/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas para conter o aumento de infectados por DSTs — doenças sexualmente transmissíveis — no Brasil, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática. Nesse sentido, torna-se evidente o menoscabo governamental e o individualismo da população, bem como a necessidade de uma ação conjunta do governo com o corpo social para solucionar essa inercial problemática.

Mormente, é indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência estejam entre as causas do problema. Tal fato se reflete nos escassos investimentos em veiculação de informações sobre os sintomas e seus testes para a detecção de doenças, como Aids, Sífilis e Gonorreia, e campanhas de proteção sexual, principalmente em escolas. Dessa maneira, essas medidas poderiam reduzir os casos de infecção por DSTs, mas, devido à falta de administração e fiscalização pública por parte de algumas gestões, isso não firmado. Por consequência disso, o número de infectados tende a crescer, segundo o Ministério da Saúde, entre jovens de 20 a 24 anos, a taxa de casos mais que dobrou em 2015, em relação a 2005.

Ademais, o exacerbado individualismo dos brasileiros dá impulso ao aumento da infecção. Isso pode ser justificado pelo conceito de “modernidade líquida”, de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas, a fim de atender os interesses pessoais, aumentando o individualismo. Dessa forma, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquida acaba, muitas vezes, não se importando em se prevenir durante o ato sexual, segundo o Ministério da Saúde, 60% dos brasileiros raramente ou nunca usam camisinha, um dos mais seguros métodos de proteção.

Urge, portanto, que indivíduos e instituições cooperem para mitigar o impasse. Destarte, o Ministério da Educação, em parceira com o Ministério da Saúde, deve promover nas instituições de ensino palestras e aulas, ministradas por profissionais de saúde, que explicite aos estudantes os sintomas e os exames das DSTs, além de explicar a importância da proteção sexual, a fim de que se reduza o número de infectados. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Comunicações, deve veicular campanhas, na televisão e na internet, que incentive o uso de preservativos e divulgue os locais de distribuição, para que ocorra a desconstrução do individualismo. Assim, talvez, o Brasil poderá transformar a profecia de Zweig em prática, e não apenas em teoria.