O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 10/08/2018
Em 1891, quando os primeiros casos de HIV foram registrados, o mundo entrou em modo de alerta e o medo impôs às pessoas uma preocupação sensível com a prevenção sexual. Entretanto, na contemporaneidade, diante de um certo controle da doença, o medo relativo a essa e a outras DSTs não mais figura como um fator preponderante na postura sexual da sociedade, o que, portanto, justifica o aumento recente dessas enfermidades. Além disso, a desinformação e o preconceito, sobretudo masculino, em relação aos preservativos são fatores adensadores dessa problemática.
Em primeira análise, sabe-se que o medo gera no ser humano um senso de proteção e sobrevivência. De fato, ao assistir às mortes de heróis como Cazuza e Renato Russo, em virtude da AIDS, a juventude brasileira dos anos 80 contou com um forte imperativo para atentar-se em relação em relação ao uso de camisinha e ao manuseio seguro de seringas, por exemplo. Porém, com o desenvolvimento de fármacos como o AZT e, por conseguinte, com o aumento da sobrevida dos portadores, as novas gerações, além de negligenciarem a proteção, esquecem-se ou não sabem acerca de outras enfermidades passíveis pelo contato sexual, como a sífilis, a qual se não tratada pode até mesmo causar danos cerebrais.
Outro agravante é a baixa aceitabilidade dos preservativos pelos homens. Segundo estudos divulgados pelo The New York Times, eles alegam que são dispositivos desconfortáveis e, por vezes, incompatíveis com o genital. Além disso, diante do maior controle feminino em relação à gravidez, por meio de pílulas anticoncepcionais e DIUS, os métodos de barreira, únicos que previnem doenças, são secundarizados. Logo, seguindo essa tendência de poder da mulher sobre o próprio corpo e a concepção, a responsabilidade em relação ao contágio de DSTs deveria ser democratizado, entretanto, apesar de existir a camisinha feminina, ela é pouco divulgada e desconhecida por muitas mulheres.
Evidenciam-se, portanto, fatores significativos associados ao aumento das DSTs no Brasil, o que consiste em um grave problema de Saúde Pública. A fim de dividir o encargo da proteção entre homens e mulheres, o Ministério da Saúde deve incentivar o uso do preservativo feminino por meio de campanhas midiáticas e da maior distribuição gratuita, afinal, elas são mais caras que as masculinas. Além disso, o Ministério da Educação deve promover um maior entendimento dos alunos acerca dos outros tipos de doenças sexualmente trasmissíveis, além da AIDS, por intermédio da promoção de oficinas nas escolas, contando com profissionais especializados que versem sobre as formas de prevenção e os danos possíveis diante do não tratamento das patologias. Assim, contaremos com a conscientização e superação desse mal para a atual e as futuras gerações.