O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 25/08/2018

A medicina tem evoluído de forma exponencial nas últimas décadas, desde a descoberta da penicilina ao sequenciamento do genoma humano, de maneira que muitas das doenças que eram tidas como uma sentença de morte no passado são, hoje, curáveis ou passíveis de tratamento. Ocorre, no entanto, que nem sempre o avanço dessa área influi na melhora comportamental das pessoas – e por vezes contribui negativamente. Como exemplo que melhor ilustra esse cenário, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) têm voltado a crescer nos últimos anos no Brasil, ratificando a necessidade de discutir formas de inibir esse retrocesso da saúde pública.

Em primeiro plano, é válido pontuar que o contexto em que o indivíduo está inserido é determinante na visão que ele tem da sua realidade e no comportamento que ele assume. Nesse sentido, vemos que nas décadas de 1980 e 90 o mundo viveu o auge da AIDS, em que milhares de pessoas morreram por conta dessa DST, influenciando, assim, na prevenção de quem viveu nesse período. Com os avanços da medicina, o grau de letalidade dessa doença foi diminuído e o tratamento de outras, como sífilis, gonorreia ou clamídia se tornou mais simples e barato, o que contribuiu para a banalização dessas DSTs. Como prova disso, o Ministério da Saúde (MS) informou que, entre 2005 e 2015, a taxa de pessoas identificadas com HIV mais que dobrou.

Em segundo lugar, deve-se salientar a preponderância de infectados por DSTs entre os jovens. Nesse caso, a desinformação – ou informações equivocadas – e o pouco uso de preservativos são os principais propulsores desse cenário negativo. Segundo o MS, cerca de 60% das pessoas não utilizam preservativos em suas relações sexuais e grande parte não reconhece sintomas como os da sífilis ou ignoram a irreversibilidade da AIDS, evidenciando um déficit educacional que incumbiria tanto às instituições de ensino quanto à família.

Diante do exposto, é evidente a urgência de medidas que visem reverter o cenário das DSTs no Brasil. Para tanto, é fundamental a atuação das escolas, de maneira a deliberar acerca do crescimento das mais diversas DSTs, abordando de forma mais incisiva, nas aulas de biologia e por meio de palestras, a necessidade do uso de contraceptivos, como identificar os sintomas dessas doenças e como se dá seu tratamento, garantindo que possam ser evitadas e tratadas precocemente, inibindo sua disseminação. Ademais, é imperioso o engajamento da mídia, nos meios televisivos e virtuais, no intuito de mudar o comportamento das pessoas, reforçando o fato de que as DSTs ainda é um problema bastante presente no país, requerendo, portanto, a prevenção.