O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 30/08/2018

Segundo Edmund Burke, filósofo irlandês, um povo, quando não conhece a sua história, está condenado a repeti-la. Nesse sentido, o desconhecimento histórico da década de 1980, marcado principalmente pelo auge dos casos de HIV, direciona os jovens hodiernos a não se preservarem em suas relações sexuais. Diante disso, a banalização e a ausência da cultura de educação sexual são fatores que contribuem para o aumento de casos de doenças sexualmente transmissíveis no Brasil.

Em primeira análise, é válido ressaltar que a maioria dos jovens não tem receio de adquirir doenças através de relações sexuais, por acreditar que a medicação controla totalmente os sintomas das DSTs. Assim, percebe-se que, ao contrário da nefasta década de 1980 do país, a sociedade moderna possui a falsa impressão de cura das doenças sexualmente transmissíveis, o que faz com que o corpo social opte por descartar a proteção nas relações. Prova disso é que, segundo o Ministério da Saúde, 60% dos brasileiros raramente ou nunca usam camisinha, um dos mais seguros métodos contraceptivos e de proteção. Dessa forma, urge a necessidade de alertar a população sobre as implicações dessa prática avessa ao bem-estar.

Ademais, é válido ressaltar que o falho sistema educacional faz com que a educação sexual seja esquecida durante a vida letiva dos estudantes. Conforme Foucault, a sociedade moderna tende a tornar tabu os assuntos que causam desconforto à população. Desse modo, temas como sexualidade, métodos contraceptivos e DSTs ficam restritos a ações pontuais, o que ocasiona, por sua vez, a ausência de debate tanto no ambiente familiar quanto no escolar. Assim, em virtude dessa carência de diálogo, há o desconhecimento dos jovens acerca do assunto, o que potencializa a problemática das DSTs no país.

Torna-se evidente, portanto, que o aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis deve ser combatido no país. Diante disso, cabe ao Ministério da Saúde, a distribuição de cartilhas e a criação de campanhas publicitárias que orientem adolescentes e adultos acerca dos riscos do sexo sem camisinha, o que objetiva a mudança comportamental dos mesmos. Ademais, as escolas devem realizar palestras para pais e filhos, abordando a importância do diálogo sobre a educação sexual, com o intuito de maturar os jovens para as eventuais relações e o adequado cuidado que essas exigem. O Governo Federal, por sua vez, deve investir em mecanismos de rápida detecção dessas doenças nos postos de saúde, além de contratar psicólogos que orientem o indivíduo portador a buscar tratamento. Dessa forma, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, regido pela consciência acerca dos riscos da prática de relações sexuais desprotegidas.