O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 29/08/2018
No século XX, a chamada Revolta da Vacina eclodiu na cidade do Rio de Janeiro. Tal revolta ocorreu como resposta à maneira com a qual a vacinação foi conduzida pelas autoridades, por meio da força bruta e sem a prévia divulgação e instrução por parte do Estado. No contexto atual, no qual está inserida a problemática do crescimento das doenças sexualmente transmissíveis no Brasil, verifica-se que, novamente, a não democratização do acesso ao conhecimento configura-se como fator limitante do desenvolvimento social.
Segundo Antônio Candido, em seu ensaio “O direito à literatura”, os direitos sociais gozados por um devem, invariavelmente, serem gozados por todos, inserindo-se nesse contexto o direito à educação. No entanto, tal conceito não se materializa, visto que, tanto nas escolas públicas quanto no ambiente médico, nota-se a má eficácia e até mesmo ausência da difusão de instruções acerca das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), sobretudo em ambientes menos abastados. Tal quadro contribui para a manutenção de concepções equivocadas, como a confusão feita sobre contracepção e prevenção de doenças, e reforça a condição de tabu atribuída às discussões sexuais.
Como efeito desse processo, a desconstrução de preconceitos associados à problemática permanece imóvel. Nessa conjuntura, o conservadorismo vigente leva, também, ao crescimento de estereótipos e estigmas que impedem a proliferação das formas de prevenção e, por conseguinte, ao aumento no número de casos e reemergências de DSTs que não eram mais epidêmicas no país, como a sífilis. A recente campanha de vacinação contra o HPV foi um exemplo do quadro atual, no qual setores conservadores interpretaram a forma de prevenção como um incentivo à promiscuidade das estudantes, limitando assim, a oportunidade de diminuir a incidência do câncer do colo de útero.
Mediante os argumentos defendidos, percebe-se evidente que ações são necessárias para reverter a situação. Para tanto, o Estado deve promover campanhas de incentivo à difusão de informação, bem como investir medidas preventivas, isso pode ser feito por meio da ampliação nas campanhas de vacinação em conjunto com uma maior abertura no dialogo por parte dos médicos, a fim de reduzir a ocorrência de conceitos errado e limitar a ação das doenças. Além disso é necessário que as escolas, ambiente de metamorfose social, atue na desconstrução de preconceitos enraizados, promovendo debates com os pais sobre a educação sexual e sua importância na vida dos jovens com o intuito de reduzir, desde a tenra idade, o risco de contrair doenças. Dessa forma, por intermédio da educação, o Brasil alcançará um novo patamar em seu desenvolvimento social.