O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 04/09/2018
Cazuza, 1990. Freddie Mercury, 1991. Renato Russo, 1996. Todos morreram graças as complementações causadas pela Aids. É inegável dizer que, para quem viveu nos anos 80, as Doenças Sexualmente Transmissíveis, DSTs, tornaram-se palavras malditas que chegaram para levar grandes ídolos e mudar totalmente a forma de como o mundo vê o sexo. De fato, com o passar dos anos muitas coisas mudaram, com o avanço da medicina, medidas preventivas e anticoncepcionais foram consolidadas. No entanto, esse período de paz trouxe um novo surto, dessa vez mais silencioso - configurando um alarmante problema de saúde pública.
Em primeira análise é válido salientar que a falta de acesso à informação e o tabu que ronda o sexo. Segundo uma pesquisa realizada pela Unifesp, 62% dos entrevistados, em um universo de 1,5 mil estudantes de Porto Alegre, nunca tiveram uma aula de educação sexual. Tal situação se deve principalmente a formação religiosa brasileira, que, somado ao medo dos pais, vê a educação sexual como uma maneira de estimular a sexualidade dos jovens. Em corolário, tudo isso ocasiona em uma diminuição do uso de preservativos, menor frequência de testagem e menor consciência dos efeitos de uma epidemia - já que a infecção se dá em uma reação equiparada a uma progressão geométrica.
Outrossim, é necessário destacar a displicência e os efeitos das relações sexuais desprotegidas. Indubitavelmente, o mundo prega um hedonismo desenfreado, que transformou a prática sexual em algo descompromissado, individual e inconsequente. Destarte, as autoridades sanitárias perderam um grande aliado: o medo. A população banalizou estes males e abriu mão de se proteger - o preservativo caiu em desuso e as consequências disso começaram a aparecer. Em cinco anos, a Secretária de Saúde registrou 29 mil casos, sendo que o perfil dos infectados está entre jovens de 20 e 29 anos. Além disso, há a banalização do tratamento, principalmente em relação ao HIV, pois passou uma mensagem de que tudo bem se infectar já que os remédios controlam os riscos.
Torna-se evidente, portanto, as causas e os problemas relacionados ao aumento das doença sexualmente transmissível. Buscando solucionar esse problema, o Ministério de Saúde deve somar forças com o Ministério de Educação, para promover a informação em ambientes públicos, por meio de cartazes educativos e orientações médicas, visando a valorização da vida e mostrar os resultados positivos do uso da camisinha. Adicionalmente, é imperioso o engajamento da mídia com propagandas publicitárias e debates públicos, por intermédio de campanhas mais criativos e modernas, para que o assunto não caia novamente em esquecimento e deixe de ser um tabu. Só assim essas enfermidades enfim serão controladas e, concomitantemente, não serão esquecidas.