O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 19/10/2018
Informação e consciência, embora comumente tomadas como sinônimos, nem sempre andam de mãos dadas. Essa constatação permite compreender por que os jovens brasileiros, inseridos em um contexto de acesso aos meios de comunicação, ainda possuem comportamentos que favorecem a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis – as famosas DSTs. Entender as causas dessa mazela social, portanto, mostra-se importante para combatê-la.
Em primeiro lugar, é preciso observar a existência da crença dos jovens de que eles nunca serão acometidos por essas doenças. Esse fato, aliado ao imediatismo típico dessa fase, contribui para que os prazeres sejam saciados de maneira rápida e, muitas vezes, irresponsável. Não é difícil perceber, contudo, que essas atitudes trazem consequências danosas para o indivíduo, as quais são objeto de estudo pela escola Epicurista do Período Helenístico. O aumento da sífilis adquirida e congênita na população, por exemplo, é prova sucinta do perigo dessa mentalidade atual.
Para completar esse quadro, o preconceito para com os portados das DSTs torna o problema ainda mais difícil de ser resolvido. Isso porque esse contexto se mostra como um empecilho para a procura de ajuda por parte desse grupo, devido ao medo de rejeição e de sofrer bullying. A falta de empatia, nesse caso, é primordial para o agravamento dessas infecções, pois leva esses indivíduos a ocultarem dados epidemiológicos importantes até que a doença esteja em estado avançado e a situação seja insustentável. Esse panorama é reflexo do individualismo da Modernidade Líquida, estudada por Zygmunt Bauman, em que somente os sentimentos próprios são levados em consideração.
Fica claro, portanto, que o problema em voga é bastante amplo e deve ser resolvido. Em um primeiro lugar, o Ministério da Educação, juntamente com a mídia, deve incentivar as escolas a abordarem o assunto das DSTs como assunto extracurricular obrigatório, de modo a ensinar a importância da utilização de preservativos e a gravidade dessas infecções, através de palestras e rodas de conversa para a retirada de dúvidas. Além disso, as prefeituras municipais, com o auxílio de organizações não governamentais, podem trabalhar na problemática com campanhas de exames para verificação de pessoas com essas doenças, assim como encorajando-as a procurarem ajuda médica especializada para minimizar o efeito delas sobre a vida desse grupo.