O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 13/10/2018
Gilberto Freire, ao discorrer acerca do contato sexual entre os europeus e as índias americanas em seu livro “Casa Grande e Senzala”, destaca a disseminação generalizada da sífilis e a consequente morte de diversas ameríndias. Nesse viés, apesar de a obra retratar o período colonial brasileiro, as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ainda fazem parte do cenário nacional e tornam-se passíveis de debate, visto que o número de pessoas infectadas aumenta exponencialmente, seja em decorrência da escassa abordagem a esse respeito, seja devido à queda do índice de imunização.
Primeiramente, convém ressaltar a adolescência como o período em que é despertado o interesse sexual em virtude da acentuada síntese hormonal. Nesse âmbito, verifica-se a necessidade do aconselhamento desse grupo no que tange as práticas sexuais, uma vez que a falta de orientação corrobora a transmissão de doenças. Dessa forma, ao associar a privação familiar quanto ao diálogo e a ausência de discussões em ambientes escolares sobre a prática e os métodos de prevenção de doenças, tem-se como resultado o aumento do número de adolescentes infectados por DSTs; prova disso, são dados obtidos pelo Ministério da Saúde no ano de 2015, segundo os quais a taxa de contaminação entre jovens apresentou um amento de 105% em um intervalo de dez anos.
Em segunda instância, se por um lado o escasso debate sobre a temática colabora para o elevado índice de contaminação, por outro, a divulgação de falsas informações no que diz respeito aos métodos de prevenção ocasionam o mesmo efeito. Nessa vertente, de maneira análoga à Revolta da Vacina de 1904, ocasionada pelo desconhecimento popular acerca do recurso, a disseminação de inverdades relacionadas aos imunobiológicos fizeram com que a taxa de vacinação contra DSTs, como a Hepatite B e o HPV, sofresse uma redução de 26% no ano de 2017, segundo informações do Programa Nacional de Imunização. Assim, é evidente a necessidade de se combater a desinformação social a fim de garantir a saúde nacional.
Urge, portanto, a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, de acordo com Ferreira Gullar, para que a sociedade seja alterada, é preciso mudar a concepção dos indivíduos; para tal, é conveniente que educadores, em parceria com as famílias, criem materiais, a serem aprovados pelo Ministério da Educação, que possibilitem a instrução sexual de jovens, a fim de orientar as práticas em direção à segurança. Outrossim, é necessária a união da mídia e do Ministério da Saúde, para que seja criado um site por meio do qual a população possa sanar dúvidas sobre métodos de profilaxia com profissionais da área, com o fito de reduzir o impacto das falsas notícias na sociedade. Quem sabe, assim, o cenário do período colonial, observado há mais de 500 anos, seja finalmente alterado.