O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 03/10/2018

No fim do século XX inaugura-se a era informativa, vinculada, sobretudo, ao viés tecnológico. Paralelo a isso, o crescimento da população infectada por doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) revela que as informações são pouco aprofundadas, contribuindo assim, para a banalização dessas infecções. Nesse eixo, deve-se analisar como a indiligência nas relações sexuais e o debate insuficiente influenciam no agrave ao combate dessa problemática. Visto isso, faz-se necessária a participação do Poder Público em parceria com as instituições influenciadoras.

Deve-se pontuar, de início, que a ausência do uso de preservativos é um fator determinante na acentuação do contágio de DST’s. Tal imprudência decorre, principalmente, devido à falta de incentivo das instituições formadoras, mídia e escola, visto que não existem programas realmente efetivos de orientação nesse campo. Além disso, a indústria pornográfica fortalece a estereotipação do sexo como entretenimento, contribuindo assim para a negligência na proteção sexual. Prova disso é retratada na Pcap (Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas na População) de 2013, em que, aproximadamente, 50% dos jovens entrevistados não se protegeram durante o sexo casual. Atrelada a isso, a discussão moderada sobre o assunto reflete na crença da inexistência ou da cura de todas as infecções sexualmente transmissíveis. Isso ocorre, majoritariamente, por virtude do Brasil ser referência no tratamento de DST’s. Exemplo disso, é o recurso terapêutico gratuito da sífilis, entretanto, de acordo com o Ministério da Saúde, em apenas 5 anos os casos cresceram 5000%. Nesse sentido, conforme retrata-se no trecho “Eu vejo o futuro repetir o passado”, da música “O tempo não para”, do cantor brasileiro Cazuza, fica evidente a necessidade de realizar ações que impeçam outros surtos, como o da AIDS nas décadas de 80 e 90, dessas doenças. Segundo Newton, um corpo tende a permanecer em movimento até que uma força atue sobre ele, logo, é fundamental aplicar uma força contrária ao percurso da banalização do contágio das doenças sexualmente transmissíveis, a fim de combatê-las. Nesse sentido, com o objetivo de estimular e instruir o uso do preservativo sexual, é dever do Estado garantir, por mediação do Ministério da Educação em colaboração com o Ministério da Saúde, a educação sexual através, por exemplo, da abordagem interdisciplinar, palestras e mesas-redondas. Ademias, a mídia informativa e a mídia de entretenimento precisam unir-se com o fito de desconstruir o estereotipo do ato sexual como recreação, possibilitando o debate da importância do ato sexual enfatizando, por exemplo, as consequências do sexo desprotegido em novelas ou seriados. Diante de tais medidas, o Brasil poderá evitar o crescimento das pessoas infectadas por DST’s e assim, estará inserido, de fato, na era da informação.