O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 02/10/2018
Na década de 60, o movimento da contracultura foi o precursor do ideal libertário, mormente no âmbito sexual, na sociedade em majoritária parte do mundo. Posteriormente, nos anos de 1980 as DSTs, em especial a AIDS, incidiram drasticamente e dizimaram populações. No Brasil, configurou-se um surto, que afetou a parcela juvenil e expressou as maiores taxas da história. Hodiernamente, não obstante avanços tenham sido alcançados, o país enquadra-se em uma epidemia ignominiosamente estável, mas que vem manifestando um aumento até significativo dos casos. Infere-se, portanto, uma displicência tanto do corpo social, quanto do poder governamental, haja vista que políticas públicas foram reduzidas e esse espeço persiste.
Face ao exposto, é axiomático relacionar as origens desse entrave à premissa de François Rabelais, onde a ignorância é mãe de todos os males. Há de considerar-se que os tabus da sexualidade mantidos sob influência da religiosidade e do preconceito corroboram com a desinformação, pois isolam as pessoas das condições das doenças e as colocam em vulnerabilidade. Associa-se ainda a falta de responsabilidade e preocupação dos jovens, a julgar pelo fato de 60% terem feito sexo sem preservativo em 2016. Outrossim, a marginalização de alguns grupos leva a práticas que também coadjuvam no cenário. A prostituição e o consumo descomedido de drogas provocam uma exposição e risco aos envolvidos, considerando-se que relações sem segurança ficam mais propensas a ocorrer.
Em suma, consoante a Isaac Newton, toda ação gera reação de similar intensidade. Analogamente, constata-se que as consequências dessa conjuntura omissa afetam negativamente a sociedade. É incontrovertível, pois, a sobrecarga do pechoso sistema de saúde, que não atende de forma eficaz os doentes, em vista que medicamentos estão em falta constantemente por representarem um gasto expressivo nas contas públicas. Ademais, no caso de enfermidades sem cura, como a HTLV e a HIV, há a eterna dependência de substâncias químicas, além da incontestável queda na qualidade de vida, já que a imunidade é reduzida, propiciando infecções e os remédios podem agredir o organismo.
Dessarte, urge extinguir esse óbice da saúde brasileira. Incumbe ao Ministério da Saúde abordar a sexualidade democraticamente e romper os dogmas ainda vigentes, por meio de políticas constantes, como palestras e debates na televisão, nos ambientes de ensino e nos espaços socioculturais das urbes, em especial nas áreas marginalizadas do país. Logo, além de difundir a informação, objetiva-se evitar o ônus no SUS e otimizar o combate às DSTs, haja vista que o custo para tratamentos é superior que para prevenção. Sob última análise, é substancial chegar até as pessoas primeiro, combatendo o mal pela raiz ao invés de esperar elas irem até os hospitais e os índices dispararem vexatoriamente.