O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 11/10/2018

Na década de 1980, sucederam-se vários surtos epidêmicos de infecção por doenças sexualmente transmissíveis(DSTs), sobretudo a Aids, doença ainda pouco conhecida e sem cura, o que matou milhões de pessoas em todo o mundo. No contexto hodierno, sabe-se que tais enfermidades possuem tratamento e suas ocorrência foram reduzidas. Contudo, nos últimos anos, notou-se significante crescimento no número de pessoas contaminadas com sífilis, HIV e HPV, alertando a sociedade sobre a volta de uma grave problemática de saúde pública que suscita análise e ações interventivas.

Nesse sentido, segundo o Ministério da Saúde, a quantidade de indivíduos infectados aumentou exponencialmente, principalmente, na parcela jovem, com acréscimo de 104% entre 2005 e 2015.Tal dado é reflexo de uma população desinformada, visto que, de forma semelhante ao pensamento lamarckiano de que o meio modifica o ser, após a contenção dessas patologias gerou-se uma falsa sensação de desaparecimento da mesmas e, assim, descuido com a  proteção nas atividades sexuais. Além disso, a questão mostra-se ainda pior quando verifica-se a facilidade de propagação de DSTs e a evolução de vírus e bactérias resistentes aos medicamentos como, por exemplo, acontece, na Europa, a rápida multiplicação de casos de gonorreia hiper-resistente e fatal.

Entretanto, caminhamos a passos largos para a resolução do problema. Ainda é recorrente a falta de discussão sobre o tema, que torna-se tabu, não raras vezes religioso, nos âmbitos familiar e escolar, resultando na formação de adultos sexualmente ativos com escasso conhecimento sobre educação sexual e métodos protetivos. Ademais, percebe-se que houve, ao longo do tempo, grande redução na quantidade de campanhas instrutivas feitas pelo Estado, uma vez alcançado seu objetivo, o que corrobora a insistência do impasse.

Em face do exposto e de maneira análoga a primeira lei Newton, a qual um elemento mantém seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele, torna-se imprescindível medidas efetivas que interrompam a continuidade do problema. Para isso, primeiramente, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, junto a mídia, elabora um plano nacional de combate a DSTs, por meio de campanhas publicitárias e eventos nas comunidades, com fito de conscientizar os cidadãos sobre os perigos dessas enfermidades e os meios de proteção. Outrossim, é mister a introdução da questão pela escolas nas salas de aula, mediante debates e palestras dirigidas por psicopedagogos e sexólogos que envolvam as famílias, para que, assim, diminua-se o constrangimento atrelado ao tema e tenha-se a certeza de que os jovens estão seguros.