O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 24/10/2018
Ao descortinar o século XX, a contemporaneidade, marcada pelo advento da tecnologia e pela remodelação das relações interpessoais, permitiu o avanço da medicina com a consequente consolidação de diversas medidas preventivas e anticoncepcionais. No entanto, o aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Brasil está e, contradição com tal realidade. Consonância do tabu ainda existente e da relativa segurança garantida pela modernidade, esse cenário exige medidas urgentes.
Em abordagem inicial, é importante destacar que, uma vez estabelecido o “comportamento de risco” como responsável pela transmissão de DSTs, instala-se o medo do julgamento e, assim, a falta de comunicação sobre o assunto. Entretanto, o sociólogo Habermas argumenta que a linguagem constitui uma importante ferramenta de transformação, ou seja, através da ação comunicativa o ser humano é capaz de agir racionalmente sobre os impasses. Isso significa que o tabu e o preconceito em torno das DSTs não só impedem a busca de tratamento pelos infectados, mas também instigam a continuidade do problema. Afinal, segundo o Ministério da Saúde, o número de novos casos de AIDS cresceu 35% entre 2004 e 2014, fato amplamente preocupante.
Convém destacar, ainda, a segurança passada pela diversidade e pela modernidade dos tratamentos, o que, de certa forma, leva a um descaso em relação aos cuidados preventivos, sobretudo entre os jovens. Desse modo, a AIDS, por exemplo, não é mais vista como uma doença fatal, haja vista os avanços científicos que provocaram a melhoria da qualidade de vida dos enfermos. Porém, embora seja um alento aos portadores do vírus, esse fato se tornou um entrave para a prevenção, ao passo que a banalização das DSTs levou a população a não se sentir mais como vítima dessas doenças cujas sequelas podem ser altamente graves, como é o caso da sífilis, que chega a causar danos permanentes à visão.
À luz desse contexto, é imperioso construir caminhos para a diminuição dos casos de DSTs no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação a promoção de aulas sobre educação sexual, tanto em escolas públicas quanto em escolas privadas, de maneira a abranger a importância dos métodos anticoncepcionais, bem como sessões coletivas de debate que instiguem o pensamento crítico e, dessa forma, instituam nos alunos o conhecimento sobre o assunto. Ademais, é papel das mídias, como importantes instrumentos de influência comportamental, a divulgação de dados atuais sobre casos de DSTs, por meio de propagandas em horários de maior audiência, a fim de levar às pessoas informações que comprovam os perigos dessas doenças, ainda com a existência de tantos medicamentos modernos.