O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 11/10/2018

Epidemia Invisível

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos o direito à saúde. Entretanto, o aumento de infectados por DSTs no Brasil impossibilita que milhares de indivíduos participem desse direito na prática. Com efeito, a construção de uma sociedade que valoriza o bem-estar social pressupõe que o combate e a prevenção às DSTs deixe de ser um tema negligenciado.

Em primeiro plano, a falta de conhecimento efetivo sobre os risco de contaminação fragiliza às ações preventivas. A esse respeito, em 1983, a síntese laboratorial de zidovudina - sal que compõe o coquetel de tratamento da AIDS - além de ter possibilitado o aumento da expectativa de vida dos pacientes, simbolizou o avanço científico no controle da imunodeficiência. Ocorre que, no Brasil hodierno, substancial parcela da população sexualmente ativa motivada, na maioria das vezes, pela falta de informação ou pela sensação placeba de que tais doenças foram erradicadas, é irresponsável na adoção de métodos protetivos, o que representa um retrocesso no combate às DSTs iniciado em 1983.

De outra parte, o acentuado número de infectados por patologias sexuais evidência a perpetuação da cultura da imprudência no Brasil. Nesse viés, o Movimento de Contracultura - estabelecido em meados do século XX - utilizava do sexo como estratégia de subversão social, herdada do Movimento Hippie norte-americano. Tal sexualização se perpetua de forma negativa e pode ser percebida no comportamento inconsequente de jovens e adultos progressivamente despreocupados com a própria proteção.

Impede, pois, que o direito à saúde previsto na Constituição Cidadã seja efetivado. Para isso, o Ministério da Saúde com o auxílio de médicos e psicólogos, por meio de debates e campanhas nas mídias governamentais, deve alertar e elucidar a sociedade civil sobre os reais e graves riscos de uma relação sexual desprotegida, a fim de que as DSTs deixem de ser um tema negligenciado e permaneçam na condição de uma epidemia invisível.