O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 13/10/2018

A Colonização espanhola , em virtude de seu caráter exploratório,  caracterizou um aumento expressivo de doenças sexualmente transmissíveis a partir da relação não consensual entre nativas e colonizadores. Na contemporaneidade, a perspectiva é diferente, mas igualmente preocupante,visto que - com a não utilização de preservativos- os níveis de DSTs ainda permanecem altos. Nesse viés, cabe analisar que não só a negligência das instituições sociais , mas também a contrariedade dos meios de comunicação configuram fatores que recrudescem a problemática.

Em primeiro plano, nota-se a importância dos núcleos formadores a fim de conscientizar a camada populacional, porém tal paradigma é ineficiente quando há a carência de discussão acerca da temática.Esse paradigma pode ser fundamentado pela teoria do sociólogo Michel Foucault, o qual estabelece que o sexo é um assunto duramente reprimido no âmbito social . Sob essa máxima, as relações sexuais são vistas como um tabu , principalmente no que tange a ação da família  e da escola, essa mitiga a contextualização das DSTs no cenário educacional, aquela contribui para a ausência de diálogo e proíbe os jovens de realizarem o ato sexual. Assim sendo, torna-se comum o julgamento da sociedade, impedindo o indivíduo de ir ao médico a fim de realizar um tratamento adequado.

Outrossim, apesar da facilidade ao acesso informacional, desde os indícios da terceira Revolução Industrial , muitas pessoas ainda realizam sexo sem medidas de proteção. Tendo em conta a paisagem contraditória , o conteúdo midiático, ao invés de propagar mensagens de cunho educativo, dissemina o assunto  abordado como uma forma de entretenimento , atingindo o público-alvo de maneira retrógrada . Dessa forma, doenças com a AIDS são banalizadas , já que a evolução da medicina provocou a incorporação de medicamentos e proporcionou uma vida saudável ao soropositivo. Nesse ângulo, o contingente populacional não compreende a relevância do uso de camisinhas , o que viabiliza a proliferação de outras infecções graves que - muitas vezes- são incuráveis.

Urge, portanto, a necessidade de combate às DSTs por meio de medidas viáveis e conciliadoras. Com isso, cabe ao Ministério da Educação , aliado ao Ministério da Saúde, realizar a  inserção de debates nas escolas sobre as consequências do sexo sem proteção, por intermédio de palestras e inclusão da discussão em disciplinas obrigatórias - como biologia e sociologia. Logo, tal proposta tem o fito de aliar a realidade vivenciada pelos jovens- camada mais atingida- e suas famílias, a fim de desmitificar  preconceitos e quebrar o tabu já criado. Ademais, a mídia também é primordial nesse sentido e poderá disseminar nos moldes comunicacionais a relevância da profilaxia , contrariando o padrão estabelecido pela Colonização espanhola no território americano.