O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 18/10/2018
Entre as décadas 1970 e 1980, houve a primeira epidemia da Aids, doença transmitida pelo vírus autoimune HIV, ocasionando muitas mortes e uma atmosfera de medo ao desconhecido. Mas com o advento de remédios para dirimir os efeitos da doença e diversas políticas de conscientização e prevenção, a Aids saiu do obscurantismo para ser uma patologia tratável. Embora, no século XXI, o acesso à informação sobre a Aids e outras DSTs seja vasto, ainda, no Brasil, a população tem práticas contraditórias quando o assunto é sexo. Diante dessa problemática, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Em primeiro lugar, é necessário salientar o descaso estatal quanto à conscientização dos jovens no que se refere ao sexo. Isso acontece por conta da descontinuidade de políticas públicas relativas ao tema, como as campanhas publicitárias, pois, apesar de todo o aparato que as unidades básicas de saúde disponibilizam referente a exames gratuitos e distribuição gratuita de preservativos, tais informações não chegam da maneira desejada ao público sexualmente ativo. Consequentemente, os dados do Ministério da Saúde apontam que, de 2014 à 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32%, sendo o número absoluto de casos notificados no valor de 65.878. Dessa forma, a negligência do Estado, ao investir minimamente em uma política continuada de conscientização, promove, indiretamente, o aumento de infectados por DSTs.
Faz-se mister, ainda, frisar a cultura onde o sexo é visto como tabu um impulsionador da problemática em questão. Segundo o filósofo Michel Foucault, ao passo em que a sociedade contemporânea normatiza o sexo em todas as esferas da vida social, paradoxalmente causa uma obstrução da visão do sexo como responsabilidade e passivo de discussão. Uma vez que a sociedade é bombardeada por uma perspectiva de entretenimento acerca do sexo, isso ocasiona uma lacuna em discussões sobre o assunto e o peso da responsabilidade que cada indivíduo tem sobre o sexo.
Dessa forma, é necessário que o Ministério da Saúde faça uma política permanente de campanhas publicitárias acerca da DSTs por meio de anúncios rápidos e objetivos em canais de televisão e nas redes sociais, bem como fazer parcerias com canais do YouTube para que estes falem sobre os métodos de prevenções, a importância dos preservativos e os riscos causados pelas DSTs, a fim de conscientizar a população e promover um debate acerca desses assuntos. Ademais, a mídia deve, ainda, mostrar, em programas e apresentações, temas relacionados ao sexo com objetividade e de maneira responsável, com a finalidade de apresentar aos espectadores que o assunto é passível de discussão. Desse forma, espera-se promover uma melhora no quadro da infecção por DSTs.