O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 19/10/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca do aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Brasil. Após Colombo retornar à Europa de sua primeira viagem pelo atlântico, em 1945, a sífilis se alastrou entre soldados franceses, tornando-se uma epidemia. Nessa lógica, apesar dos avanços medicinais e da consolidação de diversas medidas preventivas, as DSTs ainda são uma realidade vigente. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar como a desinformação e o sucateamento do sistema de saúde influem nesse cenário.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a falta de informação populacional, principalmente entre os jovens, é um entrave para a redução das doenças sexualmente transmissíveis. Isso ocorre, sobretudo, devido à ausência de debates sobre educação sexual nas escolas e da falta de orientação a respeito dos riscos de relacionar-se sexualmente sem proteção. Com isso, uma parcela de jovens desacredita na possibilidade de contrair doenças através do sexo, uma vez que não entendem a nocividade. Para ilustrar, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, cerca de 60% das pessoas não utilizam preservativos. Nessa circunstância, percebe-se a partir da frase de Aristóteles, “Todos os homens, têm por natureza, o desejo de conhecer”, a importância de tornar a informação acessível.
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que, o Artigo 196 da Constituição Federal de 1988, estabelece que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Todavia, isso não acontece com efetividade. Vale salientar que, isso advém da redução de verbas destinadas à saúde, como a PEC 241, que congela gastos em saúde por 20 anos, aprovada no Governo Temer. Somado a isso, há uma redução nas campanhas de prevenção às DSTs, fator que acentua o desconhecimento social a respeito das doenças, seus sintomas e tratamentos disponíveis. Para corroborar, as ocorrências de sífilis por transmissão sexual aumentaram 603% em seis anos, segundo a Secretária Estadual de Saúde de São Paulo. Assim, nota-se que a permanência dessa condição é resultado de uma gestão inepta e omissa.
Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe a elaboração de palestras públicas em escolas com profissionais da área de saúde, sobre os riscos das DSTs e da necessidade de usar preservativo como método profilático, além de inserir na grade curricular do ensino médio aulas de educação sexual, com o propósito de facilitar a comunicação e auxiliar na formação de pessoas conscientes. É imprescindível, também, que o Governo Federal revogue a PEC 241 e possibilite, mediante maior repasse de verbas do Ministério da Fazenda, que o Ministério da Saúde, por meio de cartilhas informativas e campanhas de prevenção, alcance diversos grupos sociais e viabilize o pleno acesso à saúde e a tratamentos.