O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 23/10/2018
“O importante não é viver, mas vivem bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para indivíduos jovens, os quais são os mais afetados pelas Doenças Sexualmente Transmissíveis. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude de questões socioculturais e da falta de conhecimento.
Deve-se pontuar, de início, que a lenta mudança da mentalidade social atua como um complexo dificultador. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão das DSTs em jovens é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também. Em decorrência disso, indivíduos jovens tendem a não procurar ajuda médica e assim, consequentemente, fazem o uso de fármacos sem prescrição médica, os quais nem sempre são eficientes, o que favorece proliferação da doença. Prova disso é a epidemia nacional de sífilis, a qual foi confirmada pelo Ministério da Saúde em 2016. Desse modo, a aproximação das duas realidades é inviável no Brasil.
Outro fator relevante, nessa temática, é a falta de conhecimento. Isso, consoante ao pensamento do filósofo A. Schopenhauer, o qual defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Diante dessa perspectiva, nota-se a falta de diálogos familiares sobre o assunto, o que leva adolescentes a procurarem outras para se manterem informados, as quais, muitas vezes, não são muito confiáveis. Em consequência disso, tal grupo banaliza o uso da camisinha e tendem a ser os mais suscetíveis a contrair DSTs no país, o que dificulta a erradicação do problema.
Torna-se evidente, portanto, uma tomada de medidas que aproximem essas duas realidades. Cabe ao Ministério da Saúde, por meio de campanhas, alertar sobre o risco de contaminação usando uma linguagem e veículos – redes sociais e aplicativos de encontro – voltados para o público jovem, com fito de diminuir a alta incidência de DSTs nesses indivíduos. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com as Escolas, deve incluir a educação sexual no ensino fundamental e médio. Essas aulas, com intuito de desconstruir os mitos que cercam o tema, deverão fazer a divulgação de maneiras de se proteger e de listas de locais onde conseguir informação, diagnóstico e tratamento. Talvez, assim, seja possível construir um país de que Platão pudesse se orgulhar.