O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 23/10/2018
“Alguma coisa aconteceu comigo. Alguma coisa tão estranha que ainda não aprendi o jeito de falar claramente sobre ela.”, frase de Caio Fernando Abreu, importante escritor contemporâneo brasileiro, que relatava a experiência de se ter AIDS nos anos 80, época na qual a doença era vista como uma “sentença de morte”. No entanto, o cenário atual diverge do vivido pelo autor, pois os índices de Doenças Sexualmente Transmissíveis, como a AIDS, apesar de alarmantes, não são mais tão discutidos como antigamente, o que tem afetado, principalmente, os jovens. De forma que tornou-se uma problemática que urge solução, portanto é preciso entender melhor suas causas e tratá-las na raiz.
Visto isso, é válido citar o político irlandês, Edmund Burke, que afirmou que “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la”, sendo assim a falta de conhecimento do passado é uma das causas do aumento de infectados por DSTs no Brasil. O desconhecimento da época em que as doenças eram realmente vistas como perigosas levava ao receio da população, e, consequentemente, à prevenção. O que se refletia no fato de que doenças como sífilis, gonorreia, clamíada e o vírus HIV, não só tinham sintomas desagradáveis, como também poderiam levar a morte, sem o diagnóstico e tratamento adequado. Estabelecer uma relação do passado com o presente evitaria os crescentes índices observados, como o divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo, que informa que os casos de sífilis no estado tiveram um crescimento de 603%.
Além disso, é preciso considerar outro fator causal ao se discutir o crescimento de infectados pelas DSTs, a irresponsabilidade de muitos jovens ao optarem por terem relações sexuais sem preservativo. Isso se deve ao fato de que no passado, em que a sociedade foi mais atingida tragicamente por essas doenças, não existiam os medicamentos modernos de hoje, o que leva a uma atual falsa sensação de que o uso de preservativo tornou-se desnecessário, e também de que é possível conviver com as doenças. O que é exemplificado pelo gravíssimo dado divulgado pelo Ministério da Saúde, que afirma que 6 a cada 10 jovens tiveram relações sexuais sem prevenção.
Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de diminuir o alarmante crescimento das Doenças Sexualmente Transmissíveis, visto que, ele pode ser evitado. Parafraseando o filósofo romano Cícero, que afirmou que a ignorância é a maior enfermidade do gênero humano, é necessário que seja o ensino o meio de prevenir essas doenças. Dessa maneira, o Ministério da Educação é o responsável por introduzir a disciplina de educação sexual nas escolas, e também de promover palestras para jovens e pais com uma abordagem mais efetiva que desmistifique as DST’s nos dias de hoje, com profissionais que explicam de forma assertiva as consequências da doença e a valorização da vida.