O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 24/10/2018
O contato dos portugueses com os indígenas brasileiros, durante o período colonial, trouxe inúmeras consequências, dentre elas a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis. Já no século XXI, é notória a presença de tais enfermidades na sociedade brasileira, entretanto, percebe-se o aumento de casos de infecção por DST nos últimos anos. Desse modo, cabe analisar como a falta de conhecimento sobre os métodos de prevenção e a negligência dessas medidas vem contribuindo para o agravamento dessa problemática, além de expor possíveis soluções para esse impasse.
Vale apontar, a princípio, que uma parte da população brasileira nem sequer possui conhecimento sobre as doenças sexualmente transmissíveis existentes e suas respectivas profilaxias. Isso se dá pelo fato de, principalmente nas comunidades carentes, o acesso à informação ser mais restrito e, por consequência, gera indivíduos ignorantes sobre as doenças que podem ser contraídas durante o ato sexual e como evitá-las. O filósofo John Locke, em sua teoria da tábula rasa, afirma que o indivíduo é como uma folha em branco que é preenchida por experiências e influências. Nessa óptica, o cidadão sem conhecimento prévio sobre as enfermidades e prevenções, ao se relacionar sexualmente sem proteção, pode acabar participando dos índices de infectados por DST e preencher sua “folha” por meio de uma experiência nada agradável.
Além disso, é importante ressaltar sobre os cidadãos dotados de informação que à negligenciam durante a relação sexual. Hodiernamente, a cultura hedonista que valoriza a busca inconsequente por prazeres sensoriais tem contribuído para o agravamento da proliferação das DST. O sociólogo Zygmunt Bauman explica esses atos pelo conceito de modernidade líquida, definindo-a como a queda das atitudes éticas para atender os interesses pessoais, aumentando a individualidade. De maneira análoga, ignorar o uso dos preservativos em busca de um maior êxtase, ocasiona problemas para a saúde pública e pessoal, além de transformar um momento de prazer em preocupações futuras.
Torna-se evidente, portanto, que o aumento de infectados por DST no Brasil tem se tornado algo alarmante. A fim de minimizar tal problemática, o Ministério da Saúde em parceria com as mídias televisivas e digitais, deve veicular campanhas publicitárias com um apelo emocional, crítico e informativo, sobre histórias reais de enfermos, estimulando assim a empatia e a experiência visual da consequência da negligência dos métodos preventivos e o conhecimento das possíveis doenças que podem ser contraídas durante o sexo. Com essa medida, forma-se cidadãos conscientes e cumpre com a teoria lockiana.