O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 26/10/2018
Na década de 80 o debate sobre as DST’s estava amplamente presente na sociedade civil, haja vista o surto de AIDS que contaminou e tirou a vida de muitas pessoas. No século XXI, embora a medicina tenha tido avanços significativos no tocante às medidas preventivas e a circulação de informações ser maior, essas doenças voltam, paradoxalmente, a representar um perigo, configurando-se como um alarmante problema de saúde pública.
Em primeira análise é válido ressaltar que o aumento do número de infectados está diretamente relacionado a falta de informação. Observa-se que os temas alusivos à sexualidade ainda são tratados como tabus na sociedade, restringindo a existência de um debate seguro no contexto familiar, por exemplo. Além disso, a ausência de educação sexual nas escolas leva ao desconhecimento dos mais jovens sobre a importância de manter relações sexuais apenas de maneira segura. Esse cenário é agravado pela banalização a respeito das doenças, pois por não conviverem em um cenário de “surto” e não verem o tema sendo debatido, muitos adolescentes perdem o “medo” de contrai-las. Tal fato é comprovado na pesquisa realizada pela Pcap, segundo a qual 43,4% dos jovens afirma não ter se protegido durante o sexo casual.
Nesse contexto, é válido ressaltar os efeitos das relações sexuais desprotegidas. Primordialmente, deve-se alertar que as DST’s representam um fator de risco para gestantes e bebês, principalmente no tocante a gravidez precoce, visto que, em caso de transmissão vertical, a expectativa de vida da criança decresce. Ainda assim, é inquestionável que a associação feita entre doenças sexualmente transmissíveis e a promiscuidade ocasiona um preconceito social, o qual leva muitas pessoas a serem socialmente isoladas, bem como gera uma resistência na busca de auxílio médico, por conta da vergonha.
Dado o exposto, fica clara a importância de acabar com o paradoxo existente em relação as DST’s. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Saúde investir em medidas preventivas, fazendo-as juntamente com as escolas, por meio de palestras para os alunos e suas famílias, explicando sobre os perigos relacionados a contração de doenças sexualmente transmissíveis, bem como quais as melhores maneiras de se proteger contra elas, visando a promoção de um debate sério e seguro, desmistificando os tabus sociais. Além disso, cabe ao Governo Federal a aplicação de verbas para que aqueles que já estão contaminados recebam um tratamento adequado.