O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 26/10/2018
De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde, definida pela Organização Mundial da Saúde como o completo bem-estar físico, social e mental, é um direito comum à todos os cidadãos. Entretanto, a realidade brasileira do século XXI vai de encontro a tal preceito, pois é inegável o aumento de portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) devido à políticas públicas inoperantes e ao tratamento do sexo como um tabu. Tal problemática gera decorrências como a necessidade de tratamento médico, e nos casos mais graves a morte.
Nesse contexto, nota-se a terceira Revolução Industrial como impulsionadora para o surgimento da internet, facilitando a disseminação de informações. Entretanto, apesar da maioria da população ter acesso ao conhecimento sobre as prevenções contra as DSTs, há uma negligencia social à tais enfermidades, acarretando a propagação das mesmas. Tal descaso exemplifica falta de empatia e o uso de uma liberdade exclusivamente individual, contrapondo a visão do filósofo contratualista Rousseau, que defende a limitação da liberdade individual em prol do bem-estar da sociedade.
Sob essa ótica, o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda em sua obra “Raízes do Brasil” argumenta sobre o fato de os brasileiros agirem mais pelo sentido emocional do que pelo racional. Tal lógica tem como um dos resultados a falta de proteção durante a relação sexual, devido a ausência do pensamento racional sobre as consequências desse ato. Essa incoerência é acentuada pela redução e ineficácia de campanhas sobre a necessidade da prevenção à doenças e sobre suas resultâncias. Ademais, a perpetuação do tratamento ao sexo como um tabu contribui para a escassez de diálogos acerca desse tema. Esse assunto é abordado em filmes e novelas, porém de uma forma recreativa e para entretenimento, ratificando a falta de tratamento no viés educacional, propiciando a desconsideração ou o uso incorreto dos preservativos, sendo esse o método mais eficaz no combate às DSTs.
Portanto, torna-se imperativa a ação das instituições educacionais de implementação de aulas de educação sexual em todas as escolas, com profissionais qualificados, ensinando sobre a importância do uso de preservativos durante as relações sociais, e sobre a prática da empatia. Visando assim, a diminuição de enfermidades, do tratamento do sexo como um tabu e também da delimitação da autodeterminação em benefício do bem estar social, assegurando a garantia dos direitos constitucionais. Outrossim, é indispensável a realização de campanhas eficazes pelas mídias sociais, através de vídeos e anúncios, incentivando a prevenção às DSTs e advertindo sobre seus impactos, objetivando a atenuação dos casos.