O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 26/10/2018
Na ficção, Batman, conhecido como Cavaleiro das Trevas por sua impecável atuação noturna, assegura os habitantes de Gotham City contra os perigos. Na vida real, entretanto, um grande vilão se esconde até à luz do dia, porém, não há super-heróis para proteger a vida das vítimas, senão a informação: o aumento das infecções por doenças sexualmente transmissíveis, no contexto brasileiro, tem ameaçado a vida de milhares de pessoas nas últimas décadas. Cabe, assim, uma reanálise conjuntural.
É válido ressaltar, em primeira instância, que a ausência de educação sexual nas escolas conduz à desinformação popular. A disseminação de infecções venéreas, desse modo, mostra-se resultado da falta de conhecimento, haja visto que muitas doenças, tais quais a sífilis, gonorreia, clamidia e etc, apesar de contraídas, não se manifestam ou não são identificadas de forma clara, mas podem ser transmitidas. Exemplo disso é o vírus HIV, que pode se manter inativo no corpo ou assumir sua forma ativa, no caso do desenvolvimento da AIDS.
Nesse sentido, é imprescindível destacar que a dificuldade de introdução e debate desse assunto no ambiente doméstico e escolar relaciona-se diretamente à não prevenção das doenças. Em virtude do perfil histórico conservador da sociedade brasileira, é coerente perceber que há pouco espaço para a abordagem desse tema, e, como consequência dessa postura apática e negligente, os tabus perpetuam-se; esse fato, por sua vez, conduz ao crescimento do número de casos infecciosos que passam despercebidos. Prova disso é que, segundo o Ministério da Saúde (MS), pelo menos 20% dos soropositivos não sabem dessa condição.
É notória, portanto, a necessidade do MS, em consonância com o Ministério da Educação (MEC), se mobilizem e intensifiquem a promoção de cartilhas e palestras dentro das instituições de ensino, a fim de incentivar a busca por informação e ressaltar a importância da prevenção. Além disso, é igualmente importante que o MS invista e amplie a atuação da assistência social, objetivando não só maior controle, como também identificação e tratamento gratuito oferecido pela rede pública de saúde. Outrossim, é viável que o MEC introduza à base comum curricular do ensino médio maior interdisciplinaridade entre as ciências biológicas e educação sexual, para que o número de infecções seja atenuado gradualmente com a informação, por meio da ampla abordagem desse tópico entre jovens e profissionais da saúde. Desse modo, não será necessária a intervenção de figuras fictícias para a resolução de problemas reais.