O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 27/10/2018

Cazuza. Freddie Mercury. Renato Russo. Artistas consagrados do século passado tiveram em comum mortes causadas pela Aids, uma doença sexualmente transmissível (DST). Analogamente, apesar da contemporaneidade ser marcada pelo advento tecnocientífico, com o avanço da medicina e a consolidação de medidas preventivas, o aumento dos infectados no Brasil pelas DSTs faz-se presente. Sob essa ótica, compreender os aspectos que desencadeiam o avanço desses casos é substancial para a promoção de resoluções, haja vista o comportamento sexual perigoso atrelado ao conservadorismo do agrupamento social são notados.

É preciso considerar, antes de tudo, a perda do medo de contágio por parte do corpo social. Seguindo esse raciocínio, o Instituto Bio-Manguinhos revelou que os casos de Sífilis não diminuem, porque existe uma tendência à falta de temor das consequências das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), o que acarreta no aumento do número de casos. Prova disso, é  que, de acordo com o site Estadão, ocorreu o crescimento, em seis anos, de 603% das ocorrências de Sífilis em São Paulo. Esse pretexto demonstra a necessidade de campanhas para a mudança de comportamentos em relação à prevenção.

É válido ressaltar, ainda, a obsolescência e inflexibilidade da sociedade em relação ao conhecimento sexual. Nesse sentido, a ausência de aulas relacionadas ao uso correto de contraceptivos aliada a falta de informações sobre os sintomas e as causas das patologias sexuais corroboram para o desconhecimento dos jovens e aumento dos infectados. Tal ocorrência é explanada pelo governo inglês, que em 2017, alterou suas leis e propôs o incremento do ensino sexual em todas as escolas, com a finalidade de conhecimento e prudência sobre os assuntos relacionados ao sexo. Essa realidade, em consonância com o método científico de Francis Bacon, o qual salienta que o conhecimento é poder, ratifica a necessidade de mudanças em algumas camadas estratificadas dos Estados atuais.

Evidencia-se, portanto, que o crescimento dos casos de contagiados pelas ISTs está intrinsecamente relacionado à omissão dos indivíduos e dos governos. Para contrapor essa situação, o Ministério da Saúde, em ação conjunta com a mídia, deve informar a população acerca da importância do uso de preservativos, através de informativos e propagandas, os quais alertem, à partir de dados estatísticos, o crescimento de contagiados, e assim, conscientize as pessoas para a prática segura. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação propor uma mudança na grade curricular, de maneira a inserir disciplinas voltadas à educação sexual, ao passo que as escolas convidem os pais para palestras que desmistifiquem o tabu relacionado às aulas, a fim de ganhar apoio das famílias nessa mudança. Destarte, será possível, que o ídolos sejam lembrados apenas pelos talentos, e não, pelas DSTs.