O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 29/10/2018

Cazuza, Renato Russo e Claudia Magno foram algumas celebridades que faleceram, todos na década de 1990, por conta de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Desde então, a discussão dessas patologias vem ganhando espaço na sociedade, principalmente entre os mais jovens, com a chamada “Era da Informação”. Contudo, embora o acesso às informações a respeito das DSTs esteja se expandindo, o número de infectados por esse tipo de enfermidade apresenta, atualmente, um crescimento devido, sobretudo, à falta de diálogo acerca da questão baseado no viés educativo.

No contexto histórico referente à Revolução Sexual de 1960, o tema a respeito do sexo começou a ser discutido com maior liberdade na sociedade, principalmente por conta do desenvolvimento das pílulas anticoncepcionais. A partir de então, com o avanço das redes de informação, os jovens puderam acessar com mais facilidade conteúdos de teor sexual, como filmes eróticos e pornografia. Outrossim, paralelamente a esse maior contato com esse tipo de temática, as informações acerca das consequências de um sexo desprotegido também se expandiram, mostrando à sociedade as possíveis doenças que podem ser causadas caso o ato sexual seja feito de forma desatencioso. Asim, não é possível negar que a população teve um contato maior com os comunicados a respeito de DSTs.

Entretanto, apesar da circulação de dados a respeito das DSTs ter aumentado nas últimas décadas, o sexo ainda é discutido apenas sob o viés do entretenimento, sendo o viés educativo deixado de lado, levando a um aumento do número de infectados por essas patologias no país. A ausência de discussão a respeito de um sexo protegido contribui para que o indivíduo desenvolva uma falsa ideia de que as DSTs não são graves e que ele nunca poderá ter esse tipo de doença. Dessa forma, o indivíduo acaba assumindo uma vida sexual sem, contudo, ter maturidade e responsabilidade sobre seus atos, corroborando o desenvolvimento da possibilidade de ele e o seu parceiro sexual serem infectados.

Portanto, apesar de ter ocorrido uma ampliação do acesso a informações de doenças sexualmente transmissíveis, o índice de infectados continua crescendo por conta da falta de discussões de caráter educativo acerca da problemática. Para resolver a questão, cabe aos Ministérios da Saúde e da Educação, através de uma ação conjunta, criarem palestras e aulas que discutem a respeito das DSTs. As palestras, direcionadas a todas as faixas etárias, devem ter como palestrante um profissional da saúde que externe as formas de prevenir as DSTs. As aulas, por sua vez, ao serem inseridas nas grades dos ensinos fundamental, médio e universitário, devem debater o sexo sob viés educativo, ressaltando a importância do uso de preservativos. Essas medidas visam discutir, educativamente, o ato sexual e suas consequências, para que o indivíduo tenha uma vida sexual responsável e segura.