O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 29/10/2018
Autofagia
Sob a ótica do filósofo Thomas Hobbes são necessárias instituições proativas na sociedade que garantam ordem e estabilidade em meio ao caos da natureza humana.Todavia, a problemática das doenças sexualmente transmissíveis ,no âmbito brasileiro, é antagônico a esse pressuposto filosófico, dado que a ausência de diálogo unido à escassez de uma cultura preventiva revela a deficiência de ações enérgicas ao combate dessa questão.Nesse cenário, cabe analisar os elementos que nutrem a permanência desse entrave na saúde pública.
É imprescindível, destacar, de início, o défice de conversa sobre a educação sexual, sobretudo no meio escolar.Com uma construção social brasileira baseada na religiosidade pela matriz ocupacional jesuítica ,na missão de catequização indígena, diversos assuntos foram omissos na formação da sociedade, como a sexualidade.Esse fato se reflete na exiguidade de debate nos meios educacionais da relevância da proteção e higiene sexual, o que auxilia a promoção de uma visão inconsequente do sexo referente à atuação de filmes e sites adultos, e por conseguinte aumenta a negligência e proliferação de doenças sexualmente transmissíveis.
Outrossim, além de um exíguo debate, a manutenção de uma noção imediatista também é danosa.Na perspectiva do escritor Douglas Rushkoff ,em sua obra “Choque do Presente”, o desenvolvimento das tecnologias digitais proporcionam uma estrutura social suspensa no presente e alheia ao futuro.Dentro dessa lógica, a cultura de prevenção às doenças, na periodicidade de exames e na avaliação de sintomas, se torna ínfima pela abstração das consequências vindouras.Dessa forma, doenças assintomáticas como HPV e gonorreia se amplificam pela carência de prevenção.
Fica nítido, portanto, que a questão atual das DSTs é oposta ao pensamento de Hobbes, ao destituir de atitudes enérgicas para seu embate.Nesse prisma, é vital que o Ministério da Educação realize a adoção de aulas na grade curricular sobre a importância dos métodos contraceptivos e da higiene pessoal ,para arrefecer a amplição dessas enfermidades.Ademais, que a mídia televisiva e virtual efetue campanhas publicitárias e crie ficções engajadas, como novelas, que demonstrem os perigos da não prevenção, a fim de findar a indiligência quanto à saúde.Com esses atos, a autofagia, termo biológico referente à destruição, do crescimento dessas patologias irá acontecer.