O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 31/10/2018

Dito fora pelo filósofo grego Platão que “o importante não é viver, mas viver bem”. Entretanto, é notório que parte da nação verde e amarela, sobretudo os jovens, não exercem a premissa de Platão na prática, o que corrobora o aumento de infectados por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Outrossim, o problema é agravado pela inoperância estatal, bem como pela cultura nacional na qual o sexo é um assunto tabu. Portanto, é crucial a busca por soluções que diminuam as DSTs no país.

É indubitável, que apesar do advento da internet e o fácil acesso a informações, pouco é refletido sobre os conhecimentos alcançados. Nesse panorama, é vital o papel da família na educação sexual dos filhos. No entanto, muitos pais encontram dificuldades em falar com seus herdeiros, já que pensam que poderão estimular os filhos a praticar o sexo. Em contraste, o filósofo francês Michel Foucault pontua que qualquer forma de revelação da verdade não pode ser tomada como uma espécie de libertação do sujeito das relações de poder. Ou seja, o esclarecimento é necessário, para que proporcione uma vida moralmente sadia, já que muitos jovens que não encontram informações no âmbito familiar, irão deparar-se com dados incorretos, que não esclarecem os meios de prevenção, o que aumentará a possibilidade de uma gravidez precoce ou a contração de DSTs.

Mormente, destaca-se a escassez de políticas inclusivas, como um problema para abrandar esse panorama de indiferença. A esse respeito, Zigmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo a qual algumas instituições, dentre elas, o Estado, mantêm sua forma a todo custo, mas perderam sua função social. A título de exemplo, segundo o levantamento feito pelo Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, entre os jovens de 15 a 19 anos houve um aumento de mais de 180% de infectados com DSTs no Brasil, já que a maioria dos jovens não utilizam preservativos por acreditarem que com o avanço da ciência essas doenças não levam mais a morte. Sob tal ótica, é irrefutável que embora a educação sexual seja um dever das escolas, ainda há carência de projetos, que de fato preparem esses cidadãos para os desafios advindos da pós-modernidade - como infecções por DSTs - o que atesta a ineficiência de estratégias sociopolíticas.

Somando-se aos aspectos supracitados, estratégias são necessárias para reverter esse cenário. Para isso, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura deve desenvolver palestras em escolas, para alunos do Ensino Médio, por meio de entrevistas com vítimas de infecções, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais dos ministérios, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre as DSTs e atingir um público maior. Por fim, é preciso que a população canarinha cuide de sua saúde a fim de diminuir o número de infecções e alcançar a máxima de Platão.