O aumento de infectados por DSTs no Brasil

Enviada em 02/11/2018

Na antiguidade, as doenças sexualmente transmissíveis eram conhecidas como “Doenças venéreas”. Os franceses acreditavam que a causa principal era o ato sexual que, por sua vez, estava ligado a deusa do amor, Vênus. Atualmente, sabe-se que essas doenças não só são transmitidas diretamente, pelas relações sexuais, como também indiretamente, por meio de utensílios pessoais mal higienizados ou manipulação indevida de objetos contaminados.

Observa-se, em primeira instância, que a negligência quanto à prevenção dos atos sexuais implica na proliferação de DST`s. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, 10,3 milhões de brasileiros já tiveram algum sinal ou sintoma de DST. Isso ocorre devido a falta de conhecimento acerca dos métodos de tratamento. A população acredita que estes levam a uma condição 100% e, logo, não fazem uso da camisinha, alegando que ela reduz o prazer, como mostra a pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids”, realizada pela Caixa Seguros com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em que quatro a cada dez brasileiros de 18 a 29 anos admitiram não usar o preservativo em sua última relação.

Deve-se abordar ainda, que a falta de educação sexual nas instituições formadoras, contribuem para o aumento de doenças sexualmente transmissíveis. As escolas ainda tratam o sexo como tabu, visto que, de acordo com a professora titular da UFRGS, Jane Felipe, ele só é abordado sob o viés biológico, quando na verdade, deveria considerar questões históricas, sociais e culturais, em relação ao corpo e à sexualidade. Consequentemente, pode-se notar a crescente no número de jovens que, a logo prazo, terão experiências negativas.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao ministério da Saúde em parceria com a mídia - televisão, jornal, redes sociais - criar campanhas mais eficientes, detalhando as formas de transmissão e tratamentos, com o objetivo de informar a população de uma forma mais abrangente. Por conseguinte, é função do Ministério da Educação, fazer uma releitura dos cursos de licenciatura, inserindo, em todas as disciplinas, um estudo mais amplo da educação sexual. Não só isso, mas também deve promover nas escolas e faculdades, fóruns interdisciplinares com abordagem nas DST’s, na perspectiva de levar aos alunos as informações necessárias para que os casos dessas doenças patológicas sejam menos frequentes.