O aumento de infectados por DSTs no Brasil
Enviada em 02/11/2018
Hedonismo, trata-se de uma teoria grega que afirma o prazer como o bem supremo da humanidade, sua busca em detrimento da reflexão é, certamente, um dos fatores que têm contribuído para o aumento no número de infecções por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) no Brasil. Somado à ele, a falta de debate sobre as questões de cunho sexual e a banalização das doenças são indubitavelmente causadores da explosão dos casos de DSTs, principalmente entre jovens.
Convém ressaltar, a princípio, que os avanços científicos, conquistados através das revoluções industriais, foram de suma importância para a saúde da humanidade. Todavia, ao contrário do esperado, o número de doenças sexualmente transmissíveis, principalmente o vírus do HIV (Aids), que tinham sua disseminação controlada há anos no Brasil, voltou a crescer exponencialmente. Um dos motivos que levaram a esse crescimento, foi o próprio desenvolvimento da medicina.
Uma explicação para o fato supracitado é que: nas décadas de 80 e 90, os jovens assistiram à morte de seus maiores ídolos por conta da doença, como foi o caso de Cazuza e Renato Russo, o que levantou uma ampla repercussão sobre a doença e instaurou medo. Conforme os anos se passaram, descobriram-se remédios que eram capazes de conter o vírus e amenizar seus efeitos no corpo-humano, permitindo que um infectado levasse uma vida quase normal. Embora esse tenha sido um passo gigante para o aumento da qualidade de vida dessas pessoas, criou na nova geração uma banalização em relação à doença, que acredita que em caso de infecção, o tratamento é simples e por isso não tem o cuidado de se prevenir.
Além disso, o imediatismo que marca a modernidade definida por Bauman como uma sociedade líquida e marcada por relações casuais e inconsequentes, é um dos principais motivos para essa explosão. Após um histórico de opressão sexual, como herança da Igreja e seus dogmas que impõe o sexo como pecaminoso e apenas permitido em função da reprodução, a juventude se depara com a internet e uma nova geração que preza pelo prazer e a liberdade sexual. Porém, a internet é uma ferramenta tendenciosa, uma vez que produz desejos, mas só informa consequências caso o usuário se disponha a procurar sobre elas. O que não é uma característica dessa juventude hedonista.
Tendo em vista os argumentos supracitados, pode-se concluir que o aumento de DSTs têm raízes nos tabus da sociedade, na banalização das doenças em virtude do avanço da medicina e no imediatismo da juventude. Para combater a disseminação das doenças sexualmente transmissíveis cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o MEC, inserir aulas de educação sexual no currículo escolar, evidenciando as consequências do sexo sem proteção. A fim de controlar o número de DSTs.